Em São Paulo, foliões se concentram na Vila Madalena após passagem dos blocos

Elaine Patricia Cruz - Repórter da Agência Brasil

Entre as ruas e ladeiras da Vila Madalena, o tradicional bairro boêmio e artístico de São Paulo, passaram dezenas de blocos carnavalescos, mas com hora para acabar. A prefeitura paulistana determinou que, neste ano, os blocos que vão desfilar pela região terão que encerrar o som mais cedo para que a dispersão seja feita até as 20h. Também há restrição para blocos com maior número de foliões, para que não passem pela vila.

A decisão atende a reclamação de alguns moradores da região, que relataram problemas como sujeira, furtos, caos no trânsito, confusão, consumo de drogas e som alto até altas horas da madrugada provocados pelos foliões, nos anos anteriores.

No entanto, a previsão é que, após a passagem dos blocos hoje 925), a folia se estenda pelos bares do bairro que, por determinação, também terão que fechar suas portas às 22h.

No momento, ainda há concentração de foliões pelos bares e restaurantes da região. Muitos foliões, parados nas ruas, obrigam o fechamento do tráfego de veículos. O  bloco Maracatu Bloco de Pedra passou pela vila e encerrou o cordão por volta das 18h.

A previsão é que na folia deste ano 89 blocos desfilem na região. O que não incomoda a aposentada Lourdes Aparecida da Costa, 71 anos, que nasceu e sempre viveu no bairro. "Acho maravilhoso [o carnaval de rua]. Não quero que tire não. Eu gosto", disse.

Lourdes acha que a festal não provoca prejuízos ou transtornos à Vila Madalena. "O que atrapalha aqui é a enchente. E isso eles não vem ver". Ela disse que só consegue acompanhar os blocos quando passam pela rua de sua casa, já que não pode sair porque trata da mãe doente, que também gosta da passagem da folia.

Moradora da região há pouco tempo, a argentina e professora Lorena Cascallana, 41 anos, também não se incomoda com o carnaval no bairro. "É muito gostoso, muito popular e muito bonito. Tudo o que tem a ver com o popular, para mim, é festivo. Não atrapalha", afirmou.

A psicóloga Maria Regina Freitas, 69 anos, vive no bairro há pouco mais de um ano. "Já peguei dois carnavais. Para mim não está ruim não. Eu gosto muito desse lugar porque é um bairro muito alegre,"

Maria Regina disse que a restrição do horário da festa não deve provocar muitas mudanças na rotina do bairro. "Para mim está a mesma coisa, porque a Vila Madalena é um carnaval constante. Hoje tem mais gente, gente de fora. Mas aqui é um aglomerado constante."

A dubladora Alda Ferreira, 77 anos, moradora da Bela Vista, no centro da capital paulista, foi até a Vila Madalena com seu marido para aproveitar a festa. Ela não concorda com a restrição de horário na Vila Madalena. "Não concordei não. Não acho correto. Acho muito cedo.

A psicóloga Elisa Salles, 26 anos, saiu de Campinas para curtir os blocos em São Paulo. Depois de acompanhar os que passaram pela vila, ela decidiu parar em uma das ruas com grande concentração de pessoas em frente aos bares.

Elisa diz entender a restrição de horário para os blocos da Vila Madalena. "Acho que temos que aproveitar o carnaval, mas também respeitar os outros que não curtem", afirmou.

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