Juventude é foco de campanha de preservação da biodiversidade

Débora Brito - Repórter da Agência Brasil

O Brasil e outros 182 países celebram hoje (3) o Dia Mundial da Vida Selvagem. A data foi criada em 2013 pela Organização das Nações Unidas (ONU) em referência ao dia em que foi assinada a Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres, documento que reforça a responsabilidade dos Estados e das pessoas como protetores da fauna e da flora.

Por meio de várias atividades e campanhas ao redor do mundo, o objetivo do dia é chamar a atenção da sociedade para o valor biológico, científico, econômico e cultural da vida selvagem e ressaltar a importância das espécies silvestres para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar da humanidade.

O tema da campanha deste ano é "Ouça a Voz dos Jovens". Segundo a ONU, os jovens de 10 a 24 anos representam um quarto da população mundial e devem se engajar nas causas ambientais para promover uma mudança na relação da humanidade com o meio ambiente.

"Temos que atuar em conjunto e engajar a juventude. São os jovens que farão o uso amanhã da biodiversidade. Eles serão os nossos próximos lideres, se eles hoje perceberem a importância de manter o ambiente equilibrado, vai ser muito mais fácil promover mudanças que são significativas para a manutenção da vida. Esperamos que esse engajamento do jovem hoje possa promover no futuro próximo uma relação diferente do homem com a natureza", explica Ugo Vercillo, diretor do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies do Ministério do Meio Ambiente.

Para Vercillo, as ações de educação ambiental devem começar o quanto antes para fazer a diferença nas futuras gerações. "A própria Constituição Federal coloca isso, que o meio ambiente deve ser equilibrado para as presentes e futuras gerações. E há maior efeito na sensibilização quando se começa a educação ambiental na infância. Temos que conseguir engajar a criança para que ela faça diferença no presente e no futuro", afirmou.

Entre as atividades promovidas pelo Ministério do Meio Ambiente está o convite para que as escolas e os pais conversem com as crianças sobre o dia de hoje e façam visitas a zoológicos e jardins botânicos. 

Ameaça

Segundo a ONU, o tráfico ilegal de animais silvestres está no mesmo nível do tráfico de drogas, armas e pessoas. Por ano, o comércio clandestino de animais movimenta entre as redes criminosas cerca de US$ 23 milhões.

Em comunicado oficial para lembrar o dia 3 de março, o especialista da ONU em direitos humanos e meio ambiente, John Knox, alerta para o risco de uma nova onda de extinção de espécies.

"Estamos indo em direção à sexta onda global de extinção de espécies na história do planeta, mas países continuam fracassando em impedir o fim da biodiversidade".

No documento, o especialista ainda ressaltou que a destruição dos habitats naturais, a caça ilegal e as mudanças climáticas são as principais ameças à fauna e à flora terrestres. O comunicado destaca ainda que extinção das espécies tem impacto negativo na produtividade e estabilidade das atividades agrícolas e de pesca, o que representa uma ameaça ao direito à alimentação.

No Brasil, das 162 mil espécies descritas (cerca de 120 mil animais e 40 mil plantas), cerca de 3,2 mil estão ameaçadas de extinção, segundo dados do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira. "São números altos, porque no Brasil a gente tem uma riqueza de diversidade biológica, a gente tem muitos biomas, com muitas características, isso determina que tenhamos muitas espécies endêmicas (aquelas que existem em apenas uma região). Um alto grau de endemismo com a ação antrópica (ação do homem) continuada leva estas espécies a uma pressão", explicou Vercillo.

Um dos desafios para a conservação é a falta de conhecimento sobre a totalidade de espécies existentes no país. Há estimativas que apontam para mais de 1,8 milhão de espécies, o que leva a conclusão de que apenas 11% estão catalogadas.

"A gente tem feito um trabalho contínuo na organização de dados sobre fauna e flora para que tenha atualização constante e, consequentemente, uma ação de pronto para conservar e proteger. A gente não tem conhecimento total da diversidade de espécies que existem no Brasil. Mas, pelo que já está descrito, o país está entre os maiores do mundo em diversidade", afirmou.

Segundo Vercillo, o governo federal tem atuado junto a uma rede de mais de 300 pesquisadores para integrar as informações sobre as espécies. Uma das iniciativas foi o lançamento recente da Ficha de Espécies. "O principal desafio para conhecer a biodiversidade brasileira é ampliar a capacidade de pequisa do país, ter mais taxionomistas e pessoas que consigam fazer a coleta e análise", disse Vercillo.

Outro desafio é conciliar as atividades econômicas que dependem da exploração ambiental para se desenvolverem e a preservação."Para proteção, o desafio é grande. A gente tem metas nacionais de ampliar as áreas protegidas, identificar melhor as áreas e protegê-las de forma a conciliar o desenvolvimento sem que isso comprometa a sustentabilidade daquele meio ambiente", sugeriu Vercillo.

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