Presidente da Liesa presta depoimento e sugere mudanças para desfile das campeãs

Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) do Rio de Janeiro, Jorge Castanheira, voltou a afirmar hoje (3) que o atropelamento causado por um carro alegórico da Paraíso da Tuiuti, no domingo (26), no sambódromo, foi um acidente. Para ele, uma falha mecânica ou uma imperícia técnica resultou na colisão que deixou 20 feridos na avenida.

"Foi um acidente causado por algum problema no carro ou por imperícia de quem estava conduzindo. Não tem jeito. Alguma coisa aconteceu: travou uma marcha, quebrou um equipamento e isso pode acontecer com um ônibus aqui no meio da rua", disse.

Ele prestou depoimento de mais de duas horas à 6ª Delegacia de Polícia sobre os dois acidentes na Marquês de Sapucaí. No segundo dia de desfile, o afundamento de uma parte da alegoria da Unidos da Tijuca atingiu mais 12 pessoas. Do total de 32 feridos nos dois dias, três estão em estado grave.

No caso da Unidos da Tijuca, em que houve um afundamento do teto do carro alegórico, o presidente da Liesa explicou que já ficou constatada uma falha hidráulica. "O que concorreu para isso acontecer, para essa falha hidráulica, é o que a perícia tem que ver". Segundo Castanheira, medidas preventivas para 2018 só serão pensadas com os laudos em mãos.

Ele descarta que a pintura da pista do sambódromo tenha diminuído a aderência, como chegou a alegar o presidente da Tuiuti, também em depoimento à polícia. "A tinta especial adquirida pela liga em uma fábrica do Rio foi feita especificamente para ter aderência maior", disse.

Ainda segundo ele, a altura dos carros não foi modificada de um ano para o outro e todos desfilaram segundo o regimento. "Não vi nenhum exagero. Houve escolas com carros maiores do que o da Tijuca sem problemas. Temos que ver especificamente o que aconteceu e tentar corrigir os erros em todos os sentidos, prevendo mais segurança", completou.

Sábado das campeãs

Para os desfiles das campeãs, amanhã (4), a Liesa não descarta diminuir o número de pessoas circulando no local do acidente com o carro da Tuiuti, além de instalar uma sinalização especial. Ali estão as cabines de imprensa, o stand da própria liga e o Juizado de menores. O Ministério Público Estadual também solicitou ontem (2) que as escolas apresentem um novo laudo de engenharia autorizando os carros alegóricos das campeãs a desfilarem de novo.

O presidente da Liesa também esclareceu que o engenheiro Edson Marcos é contratado pela liga para cuidar da manutenção da cidade do samba, na zona portuária, e supervisionar as obras do sambódromo. "Os engenheiros não são da liga, são das empresas contratadas. As pessoas estão fazendo confusão".

A atividade é compatível, segundo Castanheira, com a consultoria que o mesmo engenheiro dá a nove das 12 escolas do grupo especial, entre elas, as duas envolvidas nos acidentes. "As escolas, por conhecerem seu trabalho, o contratam. Não tem embaraço".

Investigações

Na próxima semana, a delegada Maria Aparecida Mallet, responsável pelo caso, espera receber de Edson Marcos o relatório da vistoria e de execução do projeto do carro alegórico da Tuiuti. Já no dia 13, a expectativa da delegada é ter em mãos o resultado da perícia.

Outra previsão da delegada é acelerar as investigações sobre o afundamento do carro da Unidos da Tijuca na próxima segunda (6). Devem depor o presidente da escola, Fernando Horta, e os diretores de carnaval. Já foram ouvidos o vice-presidente e o responsável técnico do carro alegórico. Maria Aparecida pediu também uma perícia complementar sobre o caso.

Nesta sexta-feira também prestou depoimento o diretor técnico da alegoria da Tuiuti, identificado apenas como Jaime. Ele era responsável pelo carro na avenida.

Das 32 pessoas feridas durante os desfiles, três permanecem internadas nos hospitais municipais Souza Aguiar, no centro, no Miguel Couto, na Gávea e no Lourenço Jorge, na Barra.

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