Participação de investimentos no PIB tem menor peso em 2016

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil

Taxa de investimentos foi de 16,4% do PIB em 2016, após três anos seguidos de quedaMarcello Casal Jr/Agência Brasil

A participação de investimentos no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil atingiu o menor patamar da série histórica iniciada em 1996. O PIB é a soma de todas as riquezas produzidas no país. Os dados foram divulgados hoje (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e fazem parte da Pesquisa Trimestral de Contas Nacionais.

A taxa de investimentos chegou a 16,4% do PIB em 2016, após três anos seguidos de queda. Em 2013, a taxa era de 20,9%. Segundo a coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o resultado negativo foi generalizado. 

"Essa taxa caiu bastante nos últimos dois anos porque a gente teve duas quedas seguidas de mais de 10% no investimento. E, olhando por dentro dos componentes do investimento, houve queda em tudo. A construção, que pesa mais de 50% do investimento, é uma das atividades econômicas que mais sofreram com toda a crise que a gente está tendo. Além disso, a produção de máquinas e equipamentos caiu, e a importação também. Então, houve toda uma conjunção de fatores", disse.

Desde 1996, o IBGE também não havia registrado um ano em que os três grandes setores da economia caíam. Em 2016, quando o setor de serviços passou a contribuir negativamente para o PIB, a agropecuária ainda tinha um peso positivo, que se inverteu em 2016. As três principais safras brasileiras, o milho, a soja e o arroz, tiveram queda e o setor amargou uma retração de 6,6%.

Indústria da transformação cai 5,2%

A contração menos acentuada da indústria foi o principal fator que levou o PIB a recuar 3,6%, uma variação 0,2 ponto percentual, menos negativa que a de 2015. Principal componente do setor, a indústria da transformação deixou uma queda de 10,4% em 2015 para cair 5,2% em 2016.

Segundo Rebeca Palis, o desempenho da indústria da transformação no quarto trimestre, com queda de 1% em relação ao trimestre imediatamente anterior, é um dos indicadores de que a economia terminou o ano com uma queda menos aguda.

"A indústria de transformação está apresentando taxas negativas menores e, na agropecuária, a gente tem perspectivas de melhora", disse. Ela ponderou que os serviços continuam no mesmo patamar de queda e têm um peso de 70% na economia brasileira. A construção também manteve um desempenho negativo, tanto na parte imobiliária quanto na de infraestrutura, muito dependente de recursos públicos.

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