Marcha das mulheres ocupa as ruas do centro do Recife

Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil

No Dia Internacional da Mulher, as pernambucanas marcharam nesta tarde pelas ruas do Recife, em apoio à greve decretada em vários países por direitos iguais, contra a violência, o racismo, a eforma da Previdência e outras questões que atingem diretamente a população feminina.

A  caminhada começou no Parque 13 de Maio e foi em direção à Praça do Derby por volta de 17h. Muitas faixas traziam mensagens contra a reforma da Previdência, que tramita no Congresso Nacional, e com críticas ao governo.

Uma das organizadoras do ato, a técnica em Segurança do Trabalho Ana Lúcia Ferreira do Nascimento, de 52 anos, afirma que a equiparação em tempo de serviço e idade para aposentadoria entre homens e mulheres quer nivelar uma condição que, na prática, é desigual. "Nós, mulheres, somos as mais afetadas. Trabalhamos mais e recebemos menos. Temos jornadas duplas: as mulheres que estão aqui, quando voltarem para casa, vão trabalhar, porque a gente é quem cuida dos filhos, da casa."

Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada segunda-feira (6) mostra que há uma diferença entre os salários de mulheres e homens que exercem a mesma função. A maior disparidade é para as mulheres negras, que recebem 60% a menos que os homens brancos. O estudo também mostra que mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais por semana do que homens por causa dos afazeres domésticos, que ainda não são divididos de forma igual.

Ana Maria Carneiro, de 34 anos, psicóloga e integrante do Coletivo Antiproibicionista de Pernambuco, considera a reforma "ruim para homens e mulheres". Ela cita também outras pautas importantes, citadas em cartazes, pinturas no corpo e discursos durante o ato. "Viemos falar sobre as mulheres que estão presas principalmente por causa do tráfico de drogas, sobre as travestis, as trans, além de defender a liberdade sobre o próprio corpo." Outras demandas são acabar com as diferenças no mercado de trabalho e a igualdade de direitos, que, segundo Ana Maria, hoje é "completamente falsa".

Contra o racismo

A luta contra o racismo também mobilizou as participantes da manifestação. Algumas faixas traziam mensagens como: "Em  Pernambuco, 54% das mortes são de negras" e "A violência obstétrica mata mais negras".

Vera Baroni, de 71 anos, integrantes dos coletivos Uiala Mukaji Sociedade das Mulheres Negras de Pernambuco e a Rede de Mulheres de Terreiro de Pernambuco. Ela diz que o racismo afeta a todos - autores e vítimas - e que se expressa de diversas formas no cotidiano das mulheres negras. "O racismo tem muitas caras, nem sei dizer onde nos atinge mais. Só sei que ele nos faz muito mal. Nos faz adoecer, nos tira a dignidade, nos inviabiliza, nega a nossa contribuição para a formação do país."

Mulheres de outras organizações religiosas também participaram do ato, tanto católicas como protestantes. A Frente de Evangélicas/os pelo Estado de Direito carregava uma faixa com a frase "nenhum direito a menos". A  assistente social Renata Lopes, de  24 anos, falou sobre demandas das mulheres que enfrentam resistência entre parlamentares e organizações religiosas, como a legalização do aborto. "A Igreja precisa discutir isso. A pauta que a bancada religiosa traz é a favor da vida, mas as mulheres também morrem pelo aborto. Nossa proposta é iniciar a discussão e mostrar essa contradição."

Greve de professores

Antes do ato, servidores ligados ao Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife decidiram, assembleia no local, entrar em greve no dia 15 deste mês, unindo-se a um movimento nacional em respeito ao piso nacional do magistério e contra a reforma da Previdência. "Os professores vão praticamente perder o direito de se aposentar. Trabalhar 20 anos já torna a nossa vida insalubre. Com a [proposta de] reforma, a professora, que hoje se aposenta aos 50 anos, vai passar a se aposentar aos 65. Isso vai fazer cair a qualidade da educação", afirma Simone Fontana, coordenadora-geral do sindicato.

 

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