Registros de violência contra mulheres em Roraima chegaram a 4.700 em 2016

Graziele Bezerra - Repórter do Radiojornalismo

A Ronda Maria da Penha, da Polícia Militar de Roraima, criada em agosto do ano passado, registrou cerca de 4.700 ocorrências de violência contra mulheres somente em 2016, a maior parte física. O número é pouco menor que o registrado em 2015, quando mais de 5 mil mulheres pediram socorro pelo Disque 190.

Segundo a capitã Cyntya Loureto, que comanda a Ronda Maria da Penha, a maioria das vítimas é pobre. Boa parte das ocorrências é registrada nos fins de semana e está ligada ao consumo de álcool pelo companheiro. A capitã lembra um caso em que nem os muros da casa foram capazes de esconder a violência.

"Um tipo de ocorrência que teve recentemente foi de uma mulher caminhando na rua, provavelmente já fugindo da sua residência por causa de alguma briga ou algo do tipo e, na rua mesmo, na frente de todo mundo, o companheiro desce de uma motocicleta, a agride com um capacete, deixa-a desmaiada e vai embora".

Em março de 2015, o governo de Roraima criou a Coordenação Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres. O órgão atua no combate à violência, sobretudo doméstica. O governo pretende inaugurar, até o fim deste semestre, a Casa da Mulher Brasileira em Boa Vista, a primeira da Região Norte. A unidade vai oferecer diversos serviços para mulheres em situações de violência, como apoio psicossocial, delegacia, juizado, cuidados com as crianças, além de alojamento, passagens e central de transportes.

Poder Público

As mulheres são minoria em Roraima. A proporção no estado é de 103 homens a cada 100 mulheres.

Apesar de ser a menor parte, o público feminino está conquistando espaço em muitas cadeiras do Poder Público. Em 2014, por exemplo, o estado elegeu Suely Campos a primeira governadora de sua história. Nas eleições municipais do ano passado, Tereza Surita foi eleita, pela terceira vez, para assumir o comando da capital, Boa Vista.

Cargos importantes são ocupados por mulheres em Roraima no Judiciário e em outros órgãos. Empossada recentemente na presidência do Tribunal de Justiça, Elaine Bianchi diz que a vanguarda feminina é resultado de uma geração preparada para vencer.

"Minha geração vem sendo preparada para o mercado de trabalho, então a gente vem se especializando, estudando, estamos focadas. Vejo isso como uma consequência do que vem sendo realizado historicamente pelas mulheres".

Homicídios

Essa força política, no entanto, não foi capaz de esconder uma triste realidade revelada pelo Observatório da Mulher Contra a Violência, do Senado. Um estudo de 2014 mostra Roraima no topo da lista dos estados brasileiros com o maior número de homicídio de mulheres. São 9,5 mortes a cada 100 mil pessoas. A média nacional é de 4,6 assassinatos a cada 100 mil.

Para a presidente da Comissão Mista da Violência contra a Mulher no Congresso Nacional, senadora Simone Tebet (PMDB-MS), os números revelam que o Brasil deve investir em políticas para zerar essas ocorrências, que só vão funcionar de fato se a mulher denunciar.

"Como a violência é gradual, o homem começa dando um tapa na cara, depois espancando, depois é o cárcere privado, até chegar a uma situação mais grave de assassinar uma mulher. Quanto mais cedo você rompe esse ciclo, menos você tem o homicídio", disse a senadora.

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