Volta às aulas na Uerj e no Colégio de Aplicação continua indefinida

Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil

A volta às aulas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e no Colégio de Aplicação (CAP-Uerj) continua indefinida. O atraso no repasse de verbas do governo do estado tem inviabilizado tanto a presença de profissionais de nível técnico quando a manutenção de trabalhadores terceirizados, responsáveis pelas áreas de segurança e limpeza.

No CAP, o ano letivo de 2016 sequer terminou e os alunos que deveriam estar cursando o último ano do ensino médio não sabem ao certo quando as aulas de 2017 vão começar, o que leva a incertezas sobre a participação no vestibular e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no final do ano.

"Estou acabando o segundo ano ainda. E a gente não sabe quando vai começar o terceiro ano. Está bem difícil, não temos previsão de nada. Acho que vai faltar alguma coisa para a gente [para o Enem], no último ano. Está complicado para todo mundo. O governo não está dando a atenção que a gente precisa", disse Raquel Assis, que pretende tentar uma vaga no curso de psicologia.

A coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), Regina Souza, esclareceu que a questão principal envolve a alocação de verbas, pois além dos atrasos nos salários dos servidores, há dificuldade no pagamento dos trabalhadores terceirizados.

"Só vão resolver a situação se tivermos a garantia dos salários em dia e do décimo terceiro. Você receber um parcelamento de R$ 800 e só ter R$ 80 na conta, não tem como sobreviver. Eu espero do governo ações concretas e positivas. O salário é um direito, verba alimentícia sagrada, prevista na Constituição. A situação da Uerj é mais que lamentável", frisou Regina.

A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pela Uerj e pelo CAP, divulgou nota informando que as pendências financeiras já foram enviadas para a Secretaria de Estado de Fazenda, que é a responsável pelo repasse dos recursos, e a Uerj tem autonomia administrativa para sua manutenção e para adiar o início das aulas.

"A secretaria assumiu o compromisso de atender às principais demandas apresentadas pela Uerj na reunião com o governador, como reestabelecer os serviços de limpeza, segurança e alimentação. Em conjunto com a Uerj, a secretaria está à disposição para renegociar contratos e restabelecer serviços essenciais dentro do princípio da economicidade para viabilizar o reinício das aulas, que será decidido pela instituição", disse em nota.

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