Com caixa recheado, BNDES busca bons projetos para investir em 2017

Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende liberar em 2017 o maior volume de créditos possível. A expectativa é do diretor da Área de Controladoria da instituição, Ricardo Baldin, que informou que o banco ainda não tem uma meta específica de desembolso, mas que há muitos recursos disponíveis e que o objetivo é buscar bons projetos.

"Uma recuperação muito grande do mercado de ações em 2016 nos deu um ganho de R$ 20 bilhões por conta da valorização da bolsa. Com isso, o patrimônio líquido do banco saltou de R$ 30 bilhões para R$ 55 bilhões. Acho que é um crescimento muito bom. Além disso, tivemos um crescimento do nosso patrimônio de referência, que chegou a R$ 135 bilhões", apontou o diretor.

"Temos recursos disponíveis para aplicar no mercado", disse ele, afirmando que o banco aguarda clientes que queiram investir no desenvolvimento do país. "Nosso objetivo, hoje, é dar cada vez mais crédito para ver a economia crescer, [com] mais empregabilidade e mais desenvolvimento, enfim, recuperar tudo aquilo que a gente perdeu", afirmou.

Dinheiro disponível

Segundo Baldin, uma procura menor por financiamento em 2016 e o retorno de créditos concedidos no passado geraram um volume maior de recursos para o BNDES, que agora estão à disposição de quem quiser tomar empréstimo no banco. Ele informou que a maior parte dos projetos apresentados são das áreas de infraestrutura, agropecuária, saneamento e das micro, pequenas e médias empresas.

O diretor destacou que a indústria não tem demandado financiamentos, mas o BNDES está aberto a todos os setores. "Aquilo que for bom para a economia e nos der crescimento e empregabilidade, nós vamos dar atenção", faltou, acrescentando que na área de saneamento os financiamentos ocorrem por meio de concessões.

"Estamos capitaneando o processo de concessão com várias cidades no Brasil e, a partir da avaliação desses projetos, vamos estar, dentro das nossas políticas operacionais, concedendo os créditos para essas concessões", indicou.

Em 2016, o BNDES teve um lucro líquido de R$ 6,40 bilhões, contra R$ 6,19 bilhões em 2015. Boa parte do resultado foi alcançado no quarto trimestre, quando o lucro líquido chegou a R$ 2,2 bilhões. No mesmo período do ano anterior tinha apresentando prejuízo de R$ 441 milhões.
O diretor afirmou que está ansioso pelo desempenho do banco em 2017, para ver a economia crescer, conceder crédito para quem pode gerar emprego e melhorar os aspectos sociais do país.

Sinais positivos

Comentando sobre a economia do país, Ricardo Baldin disse que "os sinais são positivos. Tivemos uns meses meio parados, mas agora a economia está crescendo e temos recebido mais pessoas, mais consultas, mais pedidos. Segundo elen, a estratégia do banco tem sido de se aproximar mais dos possíveis clientes.

"Os nossos profissionais estão saindo e trazendo pessoas. Estamos trabalhando muito com os repassadores. Temos contatos com eles para que acelerem os processos de concessão e que trabalhem em cima do financiamento e capital de giro para melhorar as condições da empresa de manter e aumentar a empregabilidade", destacou.

A instituição também tem procurado reduzir o prazo de análise de projetos para concessão de financiamentos, cuja média hoje é de 180 dias. "Nós vamos buscar cada vez mais diminuir este prazo, de forma a atender mais rapidamente as demandas de crédito na economia", assegurou.

Patrimônio

Em 2016 o patrimônio líquido do sistema BNDES teve um crescimento de 78% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 55,2 bilhões em dezembro. O resultado foi reforçado pela alta de R$ 28,1 bilhões da carteira de ações do banco, embalada pelo forte desempenho da bolsa, especialmente no segundo semestre.

Já o patrimônio de referência, que determina a capacidade de financiamento do banco, teve uma elevação de 42,8%, chegando a R$ 135,62 bilhões. De acordo com o BNDES, isso permitiu que o índice de Basileia [que representa o montante de capital próprio que a instituição deve dispor para cobrir riscos de possíveis perdas], que em 2015 tinha ficado em 14,7%, tenha subido para 21,7%. Bem acima dos 10,5% exigidos pelo Banco Central.

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