Profissionais da segurança pública fazem ato contra Reforma da Previdência em SP

Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil

Policiais civis, federais, rodoviários, agentes penitenciários e guardas municipais do estado fizeram na manhã de hoje (15) um ato em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para demonstrar o descontentamento da categoria com a reforma da Previdência proposta pelo governo federal. A principal reivindicação diz respeito à manutenção no texto constitucional da atividade de risco para aposentadoria policial.

Atualmente, policiais e professores têm direito à aposentadoria especial, com 30 anos de contribuição para homens e 25 para mulheres, sem idade mínima. Com as mudanças previstas na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, eles passam a integrar o regime geral. Segundo o diretor regional de São Paulo da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, Edson Garutti, a reforma tira da profissão a caracterização de atividade de risco prevista na Constituição.

"No mundo inteiro, há essa caracterização devido ao estresse maior, ao risco efetivo, ao regime diferenciado no qual o profissional fica disponível e de sobreaviso todos os dias. Essa é uma atividade que mata mais cedo", afirmou Garutti.

Ele informou que o ato foi feito simultaneamente em todo o Brasil em frente às assembleias dos estados. De acordo com Garutti, o governo redigiu uma proposta de reforma previdenciária sem debater com a sociedade e passou o texto para o Congresso Nacional. "Agora, o Congresso Nacional está assumindo o ônus de debater o tema perante a sociedade, e o governo pressiona para que seja aprovada com rapidez. Por isso, estamos nas assembleias para simbolizar a importância do Poder Legislativo nessa reforma."

O plano da categoria é dialogar com o governo e o Congresso. "Queremos mostrar primeiro nossos argumentos para ver se o Congresso entende que eles se sustentam e, conforme for esse diálogo, os movimentos e manifestações vão crescendo, porque que nosso pleito é justo", argumentou.

Ele disse ainda que a categoria não quer fazer greve, nem prejudicar a sociedade, mas sim chamar a atenção para o fato de que a expectativa de vida dos profissionais da segurança é diferente da das demais categorias. "Muito da reforma está fundamentado no aumento de expectativa de vida da população brasileira. Na segurança pública, a expectativa está ao redor de 57 anos, e não próxima dos 80. Como exigir aposentadoria aos 65, se a expectativa de vida é de 57 anos?"

Para Garutti, se a reforma da Previdência for aprovada, a sociedade terá uma polícia envelhecida e biologicamente impedida de exercer o trabalho com vigor.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos