Após operação da PF, CBDA informa que campeonatos estão mantidos

Da Agência Brasil

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) informou, em nota, que os campeonatos administrados pela instituição (natação, polo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas) estão mantidos.

O principal evento deste mês é o Campeonato Sulamericano Juvenil/Junior, que será realizado na Colômbia, envolvendo todas as modalidades aquáticas.

A confederação informou também que a presidência da entidade será exercida provisioriamente pelo advogado e contador, Gustavo Licks, nomeado pela 25ª Vara Civel do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro como administrador provisório. 

Operação Águas Claras

A CBDA foi alvo da Operação Águas Claras, da Polícia Federal, que apura um esquema de desvio de recursos públicos repassados à confederação, envolvendo cerca de R$ 40 milhões. Foram expedidos quatro mandados de prisão preventiva, dois de condução coercitiva e 16 de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro, em cumprimento à determinação da 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Três pessoas foram presas e uma está foragida.

Um dos presos foi o presidente afastado da CBDA Coaracy Nunes. Em outubro passado, o MPF pediu o afastamento de Coaracy Nunes da direção da CBDA acusado de improbidade administrativa. O MPF também pediu o bloqueio de bens do diretor com base em investigações que apontaram um esquema de fraudes em licitações para aquisição de itens esportivos para atletas que disputariam provas de maratonas aquáticas, nado sincronizado e polo aquático nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O advogado de defesa de Coaracy Nunes, Marcelo Franklin, apontou que as mesmas acusações que foram usadas para justificar a prisão de hoje foram objeto de ação de improbidade administrativa envolvendo a CBDA. Segundo Nunes, em julgamento ocorrido ontem (5) no Tribunal Regional Federal da 3ª Região ficou decidido que não havia motivo "sequer" para afastar os dirigentes da entidade. Também ficou determinado que o caso é de competência do tribunal do Rio de Janeiro. "São as mesmas acusações penais. Causa surpresa e espanto que uma juíza de primeira instância tenha analisado o mesmo fato e as mesmas acusações e tenha decidido de forma tão dispare."

Ele destacou ainda que considera a medida "absurda" do ponto de vista humanitário. "Ele está fora da CBDA desde 9 março, por conta do encerramento do mandato. Já não é mais presidente. Além disso, é um senhor de 79 anos que passou por uma cirurgia na cabeça gravíssima no ano passado." Franklin destacou que apelará da decisão e, caso necessário, ingressará com habeas corpus. O advogado disse ainda que justificará o pedido com base na decisão do tribunal carioca, alegando que não tem fundamento para a prisão preventiva e que o processo deve ser decidido no tribunal do Rio de Janeiro.

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