Rio: recomendação de dose única deve reduzir corrida por vacina da febre amarela

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil

Fila em frente a posto de saúde no Rio de Janeiro para a vacinação contra a febre amarela Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil

O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Carlos Eduardo de Mattos, disse hoje (6) esperar que a corrida aos postos de saúde da capital fluminense diminua após o anúncio feito ontem (5) pelo Ministério da Saúde de que apenas uma dose da vacina é suficiente para imunização por toda a vida. Antes, a recomendação era de uma dose com reforço após dez anos.

"Essa decisão da dose única já havia sido adotada pela Organização Mundial da Saúde em 2014. O único lugar que não havia ainda realizado essa dose única é o Brasil. Vamos adotar o que o Ministério da Saúde determinou", disse Mattos durante debate na Comissão de Acompanhamento sobre a Febre Amarela da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

O secretário destacou que o Rio não é área de risco no momento, já que não há registro de casos de febre amarela silvestre ou urbana. A vacinação na cidade é feita de forma preventiva em 233 unidades básicas de saúde.

"Não há necessidade de as pessoas irem aos postos de saúde de maneira assustada porque no Rio de Janeiro não há nenhum caso de febre amarela silvestre, muito menos urbana. A imunização está sendo feita com calma e, mesmo assim, estamos vacinando uma média de 40 mil pessoas por dia. Já estamos nos aproximando de quase 1 milhão de pessoas imunizadas desde janeiro", acrescentou Mattos.

O estado do Rio de Janeiro tem dez casos confirmados de febre amarela em humanos até agora. Sete foram registrados em Casimiro de Abreu, na Baixada Litorânea, um deles com morte. Os outros casos foram confirmados em São Fidélis, no norte fluminense; um em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos; e uma morte em Porciúncula, no noroeste fluminense. O estado vai receber mais 1 milhão de doses da vacina contra a febre amarela nas próximas semanas. 

Dose única

A vacinação contra a febre amarela em uma só dose começa a valer neste mês e se adapta a estudos feitos pela OMS que atestam a eficácia da vacina única, sem necessidade de complementação. Em 2014, a instituição já havia recomendado a mudança, mas o Ministério da Saúde entendeu, na época, que eram necessários mais estudos para adotar o protocolo.

A médica infectologista da Fundação Oswaldo Cruz Marília Santini acredita que a dose única é uma boa recomendação pois a análise da OMS demonstrou que a proteção conferida pela vacina contra a febre amarela é de longo prazo. "Essa não é uma medida de economia. Tem muitos trabalhos que comprovam isso [a eficácia da dose única]", disse.

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