Deságio de 36,5% em leilão de energia mostra competitividade, diz ministro

Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil

O ministro de Minas e Energias, Fernando Coelho, avalia que o aumento da competitividade entre os consórcios que concorreram hoje (24) ao leilão de energia resultaram no alto deságio, que foi em média de 36,5%. Foram leiloadas concessões para a construção, operação e manutenção de linhas de transmissão e subestações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

"Pela qualidade de empresas [participantes], pelo apetite delas, o volume de investimento, isso mostra que, de fato, a gente está dando a volta por cima deste momento de recessão. Estou extremamente animado e saio daqui confiante. Isso foi fruto de muita conversa e um trabalho coletivo. As empresas deram demonstração muito clara de confiança no país", declarou.

Romeu Rufino, presidente da Aneel, explica que o deságio expressivo mostra o êxito do processo competitivo e é resultado do melhor ambiente de negócios. O alto deságio vai levar à desaceleração da tarifa para os consumidores. "Houve remuneração justa, adequada. Não acreditamos no leilão que não coloca preço realista. Este leilão reforça esta tese".

O deságio de 36,5% trará economia de R$ 24,2 bilhões para os consumidores brasileiros no período de 30 anos, tempo das concessões leiloadas hoje. Para Rufino, os novos empreendedoras que participaram do certame estimularam a competição e isso sinaliza o sucesso também dos próximos leilões.

Entre as empresas novas, chamou a atenção das autoridades a participação da indiana Saterlite Power, que disputou o leilão de hoje. "Essas empresas estão familiarizadas com o mercado brasileiro e foram para um número muito seguro no lance que estavam dando", disse o ministro. Segundo a Aneel, a empresa já conta com grandes investimentos em linhas de transmissão na Índia e vinha, há alguns meses, preparando-se para a licitação no Brasil.

No total, participaram 21 consórcios e 50 agentes distintos. Foram arrematados 31 dos 35 lotes oferecidos. Os investimentos abrangem 20 estados brasileiros e chegam a R$ 12,7 bilhões. Todas as subestações disponibilizadas foram arrematadas, assim como 96% das linhas ofertadas. Participaram, em média sete concorrentes em cada lote. No último leilão do setor, a participação foi de quatro agentes por lote.

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