Secretário de Segurança do Rio propõe rediscutir a política criminal

Akemi Nitahara - Repórter da Agência Brasil

O secretário de Estado de Segurança do Rio de Janeiro, Roberto Sá, afirmou hoje (4) que as medidas pontuais tomadas para tentar conter a violência no estado são paliativas e que é necessário rediscutir a política criminal. Na terça-feira (2), ataques feitos por facções criminosas rivais na Cidade Alta, em Cordovil, zona norte da capital fluminense, terminou com nove ônibus e dois caminhões queimados. Uma operação policial prendeu 45 pessoas e apreendeu 33 fuzis .

"Não dispenso qualquer ajuda, mas penso que medidas pontuais operacionais são um paliativo. Reitero minha fala para manter a coerência com o meu discurso e meus 34 anos de conhecimento da violência no Rio de Janeiro. Nós temos que rediscutir política criminal. Nós apreendemos 33 fuzis em uma ação do crime organizado. É só extrapolar para verificar: quantas favelas têm a presença de crime organizado no Rio de Janeiro historicamente? Quantas facções têm no Rio de Janeiro historicamente, disputando espaços territoriais? Que tipos de armas eles usam nessas ações mais ousadas?", questionou.

Sá disse também que a iniciativa das unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), implantadas a partir de dezembro de 2008, foi "ousada demais". Para ele, as UPPs deveriam contar com mais recursos, como no caso da Colômbia. "A UPP foi uma tentativa, hoje nós percebemos, ousada demais do governo estadual, com o instrumento que ele tinha de segurança pública local. Na experiência da Colômbia, é um governo federal, com todos os poderes, todos os entes. Nós fomos ousados demais. E talvez estejamos pagando um preço caro por ter tido essa tentativa de tentar levar paz a todas essas áreas, inclusive essas áreas mais carentes".

Segundo ele, está sendo feito um diagnóstico das UPPs para avaliar a continuação do programa e a melhor forma de promover a paz. "Todas as alternativas são possíveis. Mas, volto a dizer, a diretriz é o policiamento comunitário e preservar direitos. Só que o crime organizado no Brasil e no Rio de Janeiro perde com isso e vai tentar o tempo todo desestimular o governo, as forças públicas a estarem presentes onde ele perde o seu lucro. É uma escolha difícil, mas precisamos preservar vidas".

Reunião

Roberto Sá se reuniu na manhã de hoje (4), no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), com o secretário Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública, general Carlos Alberto Santos Cruz, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Wolney Dias, e o chefe da Polícia Civil, Carlos Augusto Leba, para acertar detalhes da ajuda federal anunciada ontem.

O secretário estadual mostrou as instalações do CICC ao general, pediu que o governo federal "se faça presente no Grupo Integrado de Operações de Segurança Pública" e entregou um ofício em que propõe o endurecimento da legislação para o tráfico e comércio ilegal de armas de fogo.

"O crime precisa ser enfrentado, com uma legislação que diga ao criminoso que não vale a pena cometer esse crime. [Apreendemos] 32 fuzis importados, com uma pena de 3 a 6 anos [para o portador de cada fuzil]. Entreguei hoje ao nosso secretário nacional o ofício que eu já tinha encaminhado, propondo revisão nessa legislação. Quem portar arma de calibre restrito, comercializar ilegalmente arma de fogo, fizer o tráfico de armas, tem que pagar caro por isso. Se nós queremos uma sociedade pacífica, por que armas de fogo e de guerra?"

Também foi publicada hoje (4) no Diário Oficial da União portaria que prorroga a permanência da Força Nacional no Rio de Janeiro por mais 30 dias. Atualmente são 125 agentes, que chegaram ao estado em dezembro para atuar no reforço da segurança na Alerj e no Palácio Guanabara. Ontem, foi anunciado pelo ministro Osmar Serraglio, após pedido do governador Luiz Fernando Pezão e reunião com o presidente Michel Temer, um reforço de mais cem homens.

De acordo com o general Santos Cruz, há a disposição do governo federal em colaborar com o governo do estado em prol da segurança pública. Ele disse que ainda não foi fechado o número de agentes que serão deslocados para o Rio de Janeiro nem a missão específica que eles cumprirão.

"Nós vamos trabalhar, às vezes tem que remanejar gente de outros locais para chegar nesse efetivo. Hoje, nós podemos chegar, com um mínimo de planejamento, a uns 300 ou 350 homens. Temos essa disponibilidade para atender com um efetivo maior do que esses cem. Ainda vou conversar com o secretário de Segurança para ver os detalhes."

Segundo o secretário Roberto Sá, com a disponibilização de R$8 milhões por mês, é possível colocar cerca de 1.300 policiais em 17 áreas integradas, "melhorando o policiamento de batalhões e de delegacias", para "resgatar um policiamento mais eficiente".

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