CPI da Funai Incra 2: reunião para votar relatório tem bate-boca e clima tenso

Débora Brito - Repórter da Agência Brasil

Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito da Funai e Incra 2 para discutir e votar o parecer do relator Marcelo Camargo/Agência Brasil

Deputados da oposição tentam adiar, mais uma vez, a votação do relatório final Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Funai e Incra 2. Sob clima tenso e de muito bate boca, os parlamentares retomaram no fim da manhã de hoje (17) a reunião destinada a votar o parecer do relator, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT).

As discussões sobre o relatório, que começaram ontem (16), terminaram há pouco sob protesto da oposição. Depois de quase três horas de debate, o relator iniciou a defesa de seu parecer. O processo de votação deve começar em seguida.

A CPI foi instalada há dois anos para investigar a ocorrência de fraudes e desvios na atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nos processos de demarcação de terras indígenas no país.

O documento elaborado pelo relator é criticado pela oposição e por diversas entidades que atuam na defesa dos direitos indígenas por sugerir a extinção da Funai, órgão responsável pela assistência aos índios e pelos estudos que baseiam a demarcação dos territórios indígenas.

O relatório recomenda ainda à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal que mais de 90 pessoas, entre lideranças indígenas, religiosas, antropólogos, procuradores da República, técnicos da Funai e do Incra, sejam indiciadas por supostos crimes cometidos durante o processo de demarcação de terras indígenas.

Para a oposição, o relatório foi elaborado de forma a atender aos interesses econômicos do setor agropecuário do país. Os parlamentares criticaram o pedido de indiciamento de dezenas de pessoas sem provas, o que consideraram uma tentativa de criminalização dos agentes que atuam em prol dos indígenas.

Em um dos poucos momentos em que se manifestou, o relator, Nilson Leitão, disse que apenas apontou as fraudes e que a decisão sobre o indiciamento não será da comissão. "Não quero trazer os detalhes do relatório. (...) O relatório vai falar por si só. Esse relatório vai para a Polícia Federal e para o Ministério Público, eles é que vão decidir se houve crime ou não", disse.

Para atrasar a votação do relatório, que tem grandes chances de ser aprovado já que a maioria dos membros da comissão é formada por integrantes da chamada bancada ruralista, a oposição tentou novamente retirar o relatório da pauta e obstruir o andamento dos trabalhos com apresentação de requerimentos e o pronunciamento de longos discursos.

Os representantes da base aliada evitaram se manifestar e apresentaram requerimento para encerrar as discussões. O pedido foi aprovado sob protesto.

"Manifesto nossa posição de absoluta rejeição e repúdio ao relatório que esta comissão está prestes a votar. Não me refiro às consequências do relatório, porque não acredito que os órgãos do Judiciário e da Polícia vão levar adiante os absurdos que constam no relatório (...). O que me preocupa é o Parlamento brasileiro se prestar a esse papel, em vez de se colocar em defesa dos indígenas e da Constituição", declarou o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

A sub-relatora da comissão, deputada Tereza Cristina (PSB-MS), rebateu o argumento de que o relatório privilegia os ruralistas. "Isso é uma estratégia retórica de quem quer fazer discurso, mas não quer de fato resolver o problema", declarou.

Do lado de fora da Câmara, um grupo de indígenas protesta pacificamente contra a votação do relatório do deputado Nilson Leitão. Para os indígenas, a CPI atuou com a intenção de desmontar a Funai e acabar com a demarcação de terras, o que garante aos povos o direito de uso e ocupação de territórios de propriedade da União.

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