Polícia Federal quer ouvir Haddad sobre irregularidades na campanha de 2012

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil

A Polícia Federal pretende intimar o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad para depor no inquérito que apura irregularidades nas contas da campanha de 2012, no âmbito da Operação Cifra Oculta, deflagrada hoje (1º) como desdobramento da Lava-Jato para apurar a prática de crimes eleitorais e de lavagem de dinheiro durante a quitação dos débitos da disputa daquele ano. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em São Caetano do Sul (Grande São Paulo), Praia Grande (litoral) e na capital paulista.

A investigação surgiu a partir da delação premiada de ex-executivos da empreiteira UTC, principalmente do ex-presidente da empresa, Ricardo Pessoa. "Ele narrou em sua colaboração premiada que efetuou pagamento à margem, em contabilidade paralela da campanha do então candidato à prefeitura Fernando Haddad. Esse pagamento foi operacionalizado pelo [doleiro] Alberto Youssef para uma gráfica aqui de São Paulo", ressaltou o delegado Rodrigo de Campos Costa.

O delegado Costa disse que a partir das informações recolhidas hoje pode pedir o indiciamento de Haddad.

Segundo os relatos, foram feitos pagamentos por depósitos bancários e em espécie para gráficas no valor total de R$ 2,6 milhões. Algumas das empresas sob suspeita são ligadas ao ex-deputado estadual Francisco Carlos de Souza (PT). Os pagamentos foram feitos, de acordo com o delegado, a pedido do então tesoureiro do PT João Vaccari Neto. "Os valores pagos para essa gráfica eram muito superiores aos declarados ao tribunal eleitoral como quitação de campanha", enfatizou Costa.

Nota de Haddad

Uma nota divulgada pela assessoria de Fernando Haddad afirma que "a gráfica citada, de propriedade do ex-deputado Francisco Carlos de Souza, prestou apenas pequenos serviços devidamente pagos pela campanha e registrados no TRE [Tribunal Regional Eleitoral]".

Em sua defesa, o ex-prefeito diz ainda que contrariou interesses da empreiteira durante sua gestão. "A UTC teve seus interesses contrariados no início da gestão Haddad na prefeitura, com o cancelamento das obras do túnel da Avenida Roberto Marinho, da qual fazia parte junto com outras empreiteiras igualmente envolvidas na Lava Jato. O executivo da UTC, Ricardo Pessoa, era dos mais inconformados com a decisão", acrescenta o comunicado.

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