Entidade de classe critica ação da PM contra assistente social na Cracolândia

Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil

O Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo (Cress-SP) repudiou hoje (21) a ação da Polícia Militar (PM) que prendeu ontem uma orientadora socioeducativa na Praça Princesa Isabel, no centro da capital paulista. A profissional trabalhava no serviço de assistência social de pessoas em situação de rua, usuárias de crack e outras drogas na região da Cracolândia.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não deu informações sobre a detenção da profissional. Ela foi levada para o 77º Departamento de Polícia (DP) e liberada no mesmo dia.

"O Cress-SP enquanto autarquia federal que fiscaliza, orienta e disciplina as/os assistentes sociais nas diversas políticas públicas nas quais atuam, não pode deixar de se posicionar contra essa ação arbitrária tendo em vista que nosso compromisso ético-político é pela defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo e no empenho à eliminação de todas as formas de preconceito", disse a entidade em nota.

O conselho ainda destacou que as ações contra a população de rua e profissionais que atuam na abordagem e encaminhamento aos serviços de atendimento na Cracolândia "têm sido frequentes, com violência desmedida, como a ocorrida na quarta-feira passada [14], quando a polícia lançou bombas de efeito moral em um dos espaços destinados ao atendimento de pessoas em situação de rua".

Nesta quarta-feira, movimentos sociais e profissionais de assistência social fizeram uma manifestação na região da Cracolândia em protesto contra a ação da polícia. Segundo assistentes sociais que presenciaram a detenção ontem, a orientadora foi tratada com truculência pela PM no momento da prisão. Os assistententes sociais disseram ainda que frequentemente se sentem intimidados pela polícia.

"Nós trabalhamos de colete, nós trabalhamos com identificação, eles sabem que estamos aqui para isso e, mesmo assim, a abordagem foi truculenta. Fiquei insegura em trabalhar, porque a gente não sabe o que pode acontecer. Antes o colete trazia uma certa segurança, depois do que aconteceu com nossa colega de trabalho, o colete não já é mais uma segurança", disse hoje uma orientadora socioeducativa que não quis se identificar.

A Secretaria de Segurança Pública foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento da reportagem.

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