Moradores de favelas pedem paz em ato na orla de Copacabana

Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil

Moradores de favelas do Rio de Janeiro fizeram nesse domingo (2) um ato pela paz na orla de Copacabana. Eles homenagearam Marlene Maria da Conceição, de 76 anos, e Ana Cristina Conceição, de 42, mãe e filha, mortas na última sexta-feira (30) por bala perdida no Morro da Mangueira, na zona norte.

O presidente da Associação de Moradores do Complexo da Mangueira, Washington Fortunato, explicou que o ato já havia sido marcado pela Federação Municipal das Favelas do Rio (FAF-Rio) há dois meses, pois a violência e as mortes de pessoas inocentes são rotineiras nas comunidades pobres da cidade.

"Nesses dois meses já aconteceram várias mortes de pessoas do bem em nossas comunidades. E, infelizmente, na sexta ocorreu essa tragédia com uma família da comunidade da Mangueira. O governo colocou Unidade de Polícia Pacificadora para nos dar segurança, mas o que trouxe foi insegurança. Por isso, este ato. As comunidades têm que se unir e cobrar os seus direitos", comentou. "A maioria que mora nas favelas é convivente com o poder paralelo, não conivente. Convivemos, porque o governo do estado nos abandonou à própria sorte, colocou a UPP lá, mas cadê os projetos sociais que foram prometidos no início da implementação das UPPs?", perguntou Fortunato.

A presidente da Associação dos Moradores do Morro da Providência, Gisele Dias, disse que as violações de direitos dos moradores de favelas estão cada vez mais intensas e frequentes. "Este ato é de resistência, é para dar voz às favelas, para o governo ouvir que estamos sofrendo lá dentro. A gente sai de casa, sem saber se vai voltar. Ficamos no meio dessa guerra, entre a polícia e o bandido".

Segundo Gisele, as crianças ficam sem aula. "Minhas crianças já ficaram uma semana inteira sem poder ir para a escola, para a creche. E os pais, como ficam? Fora as tragédias. A senhora da Mangueira foi buscar o neto na escola e acabou morrendo e depois a filha, que foi atrás da mãe. Na sexta, foi na Mangueira, mas é algo que já aconteceu e acontece em outras comunidades".

Para o presidente da Associação dos Moradores da Comunidade Tancredo Neves, do bairro do Jacaré, na zona norte, Marco Martins de Castro, os moradores têm vários direitos cerceados por causa dos confrontos entre policiais e traficantes. "Quem sofre com isso é a população, os moradores têm o direito de ir e vir impedido, fora as balas perdidas", disse.

A coordenação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) informou que está à disposição de todos os moradores que queiram auxiliar o trabalho dos policiais na comunidade. A coordenação também disponibiliza o serviço de Ouvidoria Paz com Voz, principal canal de comunicação entre moradores e UPP. O serviço recebe demandas pelo telefone 2334-7599 ou por meio do site ouvidoriaupp.com.br ou na Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), na Avenida Itaoca, nº 1.618, em Bonsucesso. Segundo a Polícia Militar, o anonimato é garantido.

Em nota, a Secretaria estadual de Segurança disse que "tem como prioridade a preservação da vida, a convivência pacífica e a redução de índices de criminalidade no estado" e que, para isso, tem investido desde 2007 na pacificação nas comunidades, na diminuição do uso de fuzis, na implantação do Sistema de Metas e Acompanhamento de Resultados, além de criar o Programa de Gestão e Controle do Uso da Força "para avaliar e capacitar os policiais da atividade-fim, lotados nos batalhões com os maiores registros de letalidade violenta".

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