Programa de proteção dos pandas usa diplomacia para aumentar conscientização

Ana Cristina Campos - Enviada especial da Agência Brasil*

Chengdu-China - Pandas de 2 anos se refugiam do calor em instalações com ar condicionado na Base de Pesquisa e Reprodução dos Pandas Gigantes de Chengdu, capital da província de Sichuan Ana Cristina Campos/Agência Brasil

Considerados um tesouro nacional na China, os ursos pandas gigantes conseguiram sair da "lista vermelha" de extinção há menos de um ano devido a um longo trabalho de preservação desses animais, que têm fãs no mundo inteiro.

Sob proteção especial do Estado chinês, desempenham papel importante na construção da imagem internacional do país asiático com a chamada diplomacia do panda, que consiste no envio de ursos a outras nações para pesquisas científicas conjuntas sobre a espécie.

O programa de proteção, aliado à visibilidade mundial dada aos pandas pela via diplomática, ajudou na conscientização sobre a importância da preservação da espécie. Até os anos 1980, existiam menos de mil pandas gigantes no mundo. Agora, vivem na China aproximadamente 1,8 mil na natureza e em torno de 400 sob proteção humana em centros de pesquisa ou zoológicos.

Os pandas saíram da ameaça de extinção e passaram a ser considerados como "vulneráveis" (http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2016-09/pandas-gig...) em setembro do ano passado pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Assim como outras espécies em perigo, eles sofrem com a diminuição do seu habitat por causa da expansão da atividade humana e ao desmatamento que, no caso dos pandas, reduz a quantidade de bambus, base de sua alimentação.

Chengdu-China - Na Base de Pesquisa e Reprodução dos Pandas Gigantes de Chengdu, capital da província de Sichuan, pandas dormem na maior parte do diaAna Cristina Campos/Agência Brasil

Sichuan, terra natal dos pandas

Pioneira no trabalho de preservação e principal centro de estudos sobre a espécie na China, a Base de Pesquisa e Reprodução dos Pandas Gigantes de Chengdu, capital de Sichuan, província do sudoeste da China, foi aberta em 1987 com apenas seis animais. Os quatro bebês pandas que nasceram este ano se somam aos 176 contabilizados até o fim do ano passado.

A funcionária da administração da base, Zhong Yangping, explica que o principal objetivo do santuário artificial é a reprodução dos animais. "É uma espécie ainda considerada em perigo e precisa de nossa proteção", disse. Outra vertente do centro de pesquisa é a ação educativa para conscientizar adultos e crianças sobre a importância da preservação de espécies ameaçadas.

Nas montanhas de Sichuan, considerada a terra natal dos pandas, vivem 80% desses animais. O restante está espalhado pelas províncias de Gansu e Shaanxi.

Diplomacia do panda

A primeira aparição pública de Meng Meng, uma panda de 4 anos, e de Jiao Qing, um panda de 7 anos, os dois novos moradores do zoológico de Berlim, foi na presença da chanceler alemã Angela Merkel e do presidente chinês, Xi Jinping, antes da abertura da cúpula do G20 em Hamburgo, no início do mês.

A cerimônia de abertura do Jardim dos Pandas é o mais recente exemplo dessa tradição da política externa chinesa de enviar esses "embaixadores especiais" de Pequim para reforçar os laços diplomáticos com outras nações.

O governo chinês empresta por 15 anos os pandas a zoológicos de diferentes países para projetos de pesquisa conjuntos. Segundo o jornal estatal China Daily, 48 pandas vivem no exterior em 14 países, como Japão, Estados Unidos e Cingapura.

*A repórter viajou a convite do Centro de Imprensa China-América Latina e Caribe

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