PUBLICIDADE
Topo

Governo venezuelano nega que mortes tenham relação com Constituinte

Da EFE

30/07/2017 21h34

O comando oficial de campanha para a eleição da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) na Venezuela apontou que as mortes ocorridas neste domingo (30) não têm relação com a votação. "É mentira que houve sete mortos em torno do evento eleitoral, é completamente falso, e veja que os guarimberos (manifestantes opositores) tentaram hoje e não conseguiram", disse, em entrevista coletiva, o porta-voz do governo e prefeito do município de Libertador, Jorge Rodríguez. A oposição venezuelana, que rejeita estas eleições por considerá-las fraudulentas, reportou 14 mortes durante os protestos contra o governo em todo o país, ainda que apenas oito casos tenham sido confirmados pelo Ministério Público: três em Mérida, um em Lara, três em Táchira (oeste) e um em Sucre (nordeste). Embora as circunstâncias dessas mortes ainda não sejam totalmente claras, a informação preliminar indica que a maioria ocorreu em meio aos protestos convocados pela oposição para rejeitar a eleição da Constituinte. No entanto, o prefeito Rodríguez ressaltou que "nem um só falecimento" esteve relacionado com o evento eleitoral, vinculado, por outro lado, "a milhões de sorrisos". Estes sorrisos, segundo o prefeito, incomodam a procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz, que se distanciou do governo de Nicolás Maduro nos últimos meses, a quem acusa de comandar um "Estado policial", bem como, de cometer "terrorismo de Estado". Luisa, que também se opõe à mudança da Constituição, se tornou uma das vozes mais críticas ao chavismo, que a vê como traidora e espera tirá-la do cargo assim que instalada a Assembleia Constituinte, um órgão que terá poderes ilimitados para reformar o Estado e mudar o ordenamento jurídico. "As milhões de pessoas nas ruas e nos centros de votação já assinaram o aviso prévio dessa senhora, já é passado" disse Rodríguez, após acusar Luisa, a quem chamou de "futura ex-procuradora", de incentivar uma "guerra de ricos contra pobres" no país. "Ela prende os pobres e liberta os ricos, os corruptos, e os deixa irem aos Estados Unidos em troca de milhões de dólares", acrescentou. A Venezuela realiza estas eleições em meio a uma onda de protestos que teve início no dia 1º de abril e já deixou 117 mortos, centenas de feridos e quase cinco mil detidos.