Exposição homenageia Helio Oiticica no centro cultural que leva o seu nome

Paulo Virgílio - Repórter da Agência Brasil

Exposição homenageia Hélio Oiticica -  Divulgação Centro de Arte Hélio Oiticica

Se estivesse vivo, Hélio Oiticica (1937-1980), considerado um dos mais importantes nomes da história da arte brasileira, estaria completando 80 anos em 2017. Instalado em um prédio histórico no entorno da Praça Tiradentes, no centro do Rio, funciona desde 1996 o Centro Municipal de Arte Helio Oiticica, criado pela prefeitura para abrigar o acervo do artista.

A convite da direção do espaço cultural, a artista plástica Helena Trindade inaugurou nesse sábado (5) a exposição Domínio Lacunar, que reúne, entre outros, trabalhos que fazem referência à obra de Oiticica. Com curadoria de Glória Ferreira, a mostra foi pensada e executada especialmente para o local, a partir dos documentos do arquivo do centro de arte.

Para a artista, todo arquivo é um recorte onde as ideias de completude e de objetividade não se aplicam, daí o nome Domínio Lacunar. Catálogos e cópias de documentos que registram as atividades do local ocupam as duas galerias do pavimento térreo. Com eles, a artista constrói pequenas caixas que estruturam os trabalhos apresentados.

Na primeira galeria, são apresentados dois trabalhos que remetem a Helio Oiticica: Bólide AHO e Coluna AHO (AHO querendo dizer "a Helio Oiticica"). O primeiro consiste numa caixa que, construída com a imagem de uma maquete de Helio, é coberta com a mesma tela vazada branca utilizada no estudo do artista.

Já a Coluna AHO, que se estende do piso ao teto, foi construída com pequenas caixas dos documentos das exposições da obra de Oiticica no centro cultural. Ela faz referência aos Bólides, Ninhos, Tropicália, Magic Square e outras obras em que Helena Trindade vislumbra a ideia de caixa. A coluna também é pontuada por elementos de cores primárias, uma alusão ao gosto de Oiticica pela obra do pintor holandês Piet Mondrian.

"Para Helena Trindade, a abordagem do espaço onde vai expor é fundamental na concepção da própria exposição, quer pela história do lugar, de suas vivências e simbolismos. Assim são suas instalações no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, com um conjunto de cópias do arquivo dessa instituição", explica a curadora Gloria Ferreira.

Na segunda sala, a artista apresenta os trabalhos Cata-clismo, Maquinária e Dados. O primeiro é construído com catálogos do Centro de Arte, que privilegiam imagens de quadrados, caixas e cubos de autoria de vários artistas. Maquinária é elaborado com documentos como clippings de imprensa, fotos, esquemas de montagem, convites de exposições e outros, transformados em pequenas caixas.

"Eles compõem uma espécie de 'escrita do tempo', onde as pessoas poderão reconhecer uma infinidade de atividades desenvolvidas pelo lugar", diz Helena sobre sua obra. Outro trabalho, Dados, é construído a partir de 64 pequenos cubos feitos de cópias dos documentos do arquivo do Centro Helio Oiticica.

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e com formação artística na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, na zona sul do Rio, Helena Trindade já realizou diversas exposições no Brasil e no exterior. A mais recente foi Ponto Transição, na Fundição Progresso, na Lapa, região central do Rio, com curadoria de Luiza Interlenghi, durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.

A exposição Dominio Lacunar fica aberta ao público até 30 de setembro e pode ser vista às segundas, quartas e sextas, das 12h às 20h, e terças, quintas e sábados, das 10h às 18h, com entrada grátis. O Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica fica na Rua Luiz de Camões, 68, no centro do Rio.

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