Complexo do Alemão concentra maior número de disparos de arma de fogo no Rio

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil

Moradores do Complexo do Alemão ouviram tiros nos arredores de suas casas ao menos 225 vezes entre 5 de julho de 2016 e o mesmo dia de 2017. Os dados foram divulgados hoje (8) pelo aplicativo Fogo Cruzado, que recebe contribuições de usuários e cruza dados divulgados pela imprensa e a polícia para contabilizar ocorrências de violência armada. As situações  podem ser casos de tiroteios ou em que apenas uma pessoa efetuou disparos.

Os dados divulgados hoje mostram que o conjunto de favelas é também a área da cidade que registra o maior número de feridos. Os 225 disparos atingiram 87 pessoas e causaram 38 mortes contabilizadas no aplicativo.

O Fogo Cruzado registrou 3.829 ocorrências de violência armada na cidade do Rio de Janeiro em 12 meses. Os dados mostram que ocorreram, em média, 10 situações desse tipo por dia na cidade. Foram 976 feridos, mais do que dois por dia no primeiro ano de funcionamento do aplicativo. O número de mortos contabilizado chega a 706.

Ranking

O segundo local em registro de tiroteios é a Penha, vizinha do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. O bairro teve 200 notificações de violência armada em um ano, que deixaram 42 feridos e 25 mortos. Na Cidade de Deus, na zona oeste, 169 ocorrências deixaram 36 feridos e 23 mortos em um ano.

A lista dos bairros em que foram registrados mais tiroteios ou disparos continua com Copacabana (150), Tijuca (126), Maré (119), Praça Seca (117), Lins de Vasconcelos (102), Mangueira (96) e Santa Teresa (86).

Copacabana e Tijuca registram números elevados de ocorrências por somarem as notificações em várias comunidades localizadas dentro de sua área na geolocalização do sistema adotado pelo aplicativo. O Complexo da Maré, apesar de ter o sexto maior registro de notificações, teve o maior número de operações policiais (41). O conjunto de favelas na zona norte é a terceira área da cidade com mais feridos nas ocorrências (38) .

O Fogo Cruzado foi desenvolvido pela Anistia Internacional e faz estudos em parceria com a Diretoria de Anáilises de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV/DAPP). Os dados são recebidos por meio de contribuições doss mais de 100 mil usuários que já fizeram download do aplicativo, e posteriormente cruzados com informações da Polícia Militar, da imprensa e de publicações em redes sociais.

Uso cotidiano

A gestora de dados do aplicativo, Cecília Oliveira, analisa, a partir do comportamento dos usuários, que o serviço é do interesse dos cariocas inclusive para o planejamento do dia-a-dia.

"Todo mundo conhece alguém que passou por uma tentativa de assalto ou que viu um assalto na rua e ficou no meio do fogo cruzado. O interesse das pessoas é muito grande", afirma ela, que exemplifica: " As pessoas usam para se manter informadas. Se estão saindo de casa para trabalhar, elas olham se dá para passar na Linha Vermelha naquele momento. O uso tem sido geral".

A equipe do aplicativo planeja agora a expansão do serviço para outras regiões metropolitanas do país. No radar, estão cidades em que há a necessidade de um serviço como esse pela recorrência da violência armada. "A gente já decidiu que vai expandir e agora está fechando o estudo das regiões que demonstram a necessidade maior", conta Cecília.

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