Deputados viajam às Bahamas atrás de informações sobre brasileiros desaparecidos

Débora Brito - Repórter da Agência Brasil

Deputados que integram a comissão externa da Câmara, criada para investigar as circunstâncias do desaparecimento de 16 brasileiros nas Bahamas no fim do ano passado, embarcam hoje (2) para o país caribenho em busca de informações sobre o paradeiro dos imigrantes.

Desde 6 de novembro do ano passado, um grupo de 19 imigrantes (entre brasileiros, dominicanos e cubanos) é considerado desaparecido depois de tentativa de travessia marítima ilegal das Bahamas para os Estados Unidos. Dez meses depois, o caso ainda está sem resolução, e pode nunca vir a apresentar uma resposta definitiva.

A comitiva formada por três parlamentares viajou acompanhada de representantes do Itamaraty e da Polícia Federal (PF). Além das Bahamas, o grupo deve passar pela República Dominicana e pela cidade de Miami, nos Estados Unidos.

Segundo o relator do caso na Câmara, deputado Aluízio Mendes (PODE-MA), o objetivo da viagem é passar pelos locais onde atuam os coiotes (traficantes de pessoas) pelos migrantes, e tentar coletar com autoridades locais novas informações sobre o caso.

"São duas vertentes que serão investigadas: a possibilidade de naufrágio e a de que essas pessoas terem sido assassinadas, no intuito de subtrair os pertences que elas tinham durante a viagem. Eu acho que são as duas possibilidades que a comissão irá analisar, investigar, e acreditamos que, dentro das possibilidades, essas são as mais viáveis de terem acontecido", afirmou Mendes.

O deputado adiantou à Agência Brasil que já tem audiência marcada com o chefe da AIC (American Immigration Council), agência americana de combate à imigração ilegal, e com o comandante da guarda costeira na Flórida, que acompanhou as buscas, além de um representante do FBI (Federal Bureau of Investigation).

Nas Bahamas, os deputados têm reunião prevista com o ministro de assuntos estrangeiros, o chefe de polícia do país e diplomatas brasileiro que atuam na região. Eles voltam ao Brasil na próxima quarta-feira (6).

Para o relator, que também é policial, o Brasil demorou muito para tomar uma providência, e não foi tão diligente na investigação do caso. "Nós achamos que houve uma letargia do governo brasileiro em responder a esse episódio, o que pode ter comprometido muito a elucidação do caso e, talvez, até a localização ainda com vida desses brasileiros", disse Mendes.

Mendes reconhece que, como já se passou muito tempo, as chances dos migrantes estarem vivos é "tênue". Mas, ele espera que a missão possa resultar em alguma informação positiva para os familiares das vítimas.

Parentes

Entre os desaparecidos, estão migrantes dos estados de Minas Gerais, Rondônia, do Pará e Tocantins. Desde o desaparecimento, os parentes tentam manter contato com policiais de seus estados, e aguardam respostas para o caso.

Marta Gonçalves, mãe de Diego Gonçalves Araújo, um dos brasileiros que integram a lista de desaparecidos, disse à Agência Brasil que na última conversa que teve com o delegado responsável pela investigação, recebeu a informação de que polícia tem considerado o naufrágio como hipótese mais provável.

O último contato que ela teve com o filho foi em 5 de novembro do ano passado, um dia antes da data prevista para o embarque do grupo nas Bahamas em direção à costa da Flórida. Ela relata que tem conversado diariamente com parentes de outros desaparecidos e que mantém a esperança de uma notícia melhor.

"Na verdade, não há muito o que esperar [da viagem dos deputados], mas, de repente, a gente pode ter uma surpresa, né! Às vezes, a gente pensa que não vai resolver muita coisa, mas Deus pode nos surpreender e eles podem sim conseguir uma informação boa e útil. Eu continuo com muita esperança de que eles estão vivos, eu creio que ainda pode ser descoberta alguma coisa, eu não concordo com naufrágio", disse Marta.

O desaparecimento só foi amplamente divulgado quase um mês depois do último contato feito pelo grupo, devido ao medo das famílias em expor a ação ilegal. Na época, o Itamaraty soltou nota em que informou ter acionado a Polícia Federal e as autoridades migratórias e policiais das Bahamas e dos Estados Unidos.

Em audiência pública na Câmara, representantes do Itamaraty chegaram a sinalizar que o barco poderia ter naufragado durante a travessia, dado as condições climáticas da região. Delegadas que participaram da investigação do caso relataram também em audiência na Câmara que a Polícia Federal (PF) recebeu provas de que o grupo teria embarcado, o que descarta a hipótese de que eles poderiam estar presos nas Bahamas.

Em janeiro deste ano, a PF fez uma operação em três estados, onde residiam alguns dos desaparecidos. A operação resultou na detenção de pelo menos três suspeitos de integrar a quadrilha de traficantes de pessoas que intermediou a viagem. Os desdobramentos das ações não foram divulgados, pois a investigação corre sob sigilo.

Enquanto não surge uma resolução para o caso, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que também integra a comissão externa da Câmara, disse à Agência Brasil que o colegiado recebeu informação de que os grupos de traficantes continuam atuando e já houve registros de mortes durante a travessia ilegal depois da divulgação do caso do grupo desaparecido.

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