Declaração de Janot repercute entre os parlamentares na Câmara

Iolando Lourenço e Heloisa Cristaldo - Repórteres da Agência Brasil

O anúncio do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, feito hoje (4) dividiu opiniões na Câmara dos Deputados. Janot abriu investigação para avaliar a omissão de informações nas negociações das delações de executivos da JBS e que, se comprovada a  omissão, os benefícios concedidos aos delatores poderão ser anulados.

O líder do DEM, Efraim Filho, disse que  os fatos revelados por Rodrigo Janot não inviabilizam as investigações da Operação Lava-JatoValter Campanato/Agência Brasil

Alguns parlamentares entendem que ela poderá até enfraquecer uma possível nova denúncia contra o presidente da República, Michel Temer. Outros avaliam que a investigação não enfraquece as provas colhidas pela PGR.

Logo após a fala de Janot, o líder da maioria, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), foi à tribuna da Câmara para afirmar que a declaração do procurador-geral marca um novo momento na relação com os executivos da JBS. "Esse fato dito agora cria um novo momento em relação a esse tema, que ocupou a tribuna dessa Casa por vários momentos e, com certeza, ocupará por outros tantos momentos para mostrar que essa festa parece ter acabado", disse.

Já o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) argumentou que o governo não pode comemorar o fato, uma vez que o áudio pode trazer novas informações para a investigação em curso. "Para nós, a investigação ganha mais força e tem novos dados, novas incriminações da mesma rede", disse. Para ele, os fatos podem corrigir os benefícios concedidos aos empresários da JBS após a colaboração com o Ministério Público. "Agora, a investigação tende a corrigir essa demasia, essa bondade excessiva que estava no senso comum", concluiu. O acordo de delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista prevê o pagamento de multa, mas livra ambos de qualquer processo judicial ligado aos crimes narrados por eles.

Segundo o líder do DEM, Efraim Filho (PB), os fatos revelados por Rodrigo Janot não inviabilizam as investigações da Operação Lava-Jato. "Pela primeira vez se tem as cartas na mesa, mostrando que excessos que causaram estranheza na sociedade brasileira - porque esse perdão judicial tão extenso e amplo [aos irmãos Batistas], chegando inclusive a causar indignação ao povo brasileiro, agora tem oportunidade de serem revistos", falou.

 


 

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