Encontro em Brasília discute papel das histórias em quadrinhos no país

Letycia Bond - Repórter da Agência Brasil

Brasília recebe hoje (4) a segunda edição do EnQuadrinhos, encontro que reúne pesquisadores e profissionais em torno do tema Histórias Brasileiras em Quadrinhos. O evento faz parte da 12ª Bienal Brasileira de Design Gráfico, realizada na cidade pela primeira vez e que traz, entre os 500 projetos selecionados para exibição, cinco de quadrinhos.

A programação do encontro inclui uma mesa redonda, uma oficina e palestras com o ilustrador Gustavo Duarte, a pesquisadora Selma Oliveira e o homenageado Jô Oliveira, pernambucano mundialmente premiado que tem como inspiração o cordel e outros símbolos folclóricos. Às 15h, os palestrantes vão discutir o papel das histórias em quadrinhos (HQs) no Brasil e seus aspectos culturais e mercadológicos.

A partir das 16h, começa uma feira de venda e troca de livros, em sua maioria de expositores do Centro-Oeste. Serão exibidos, ainda, 16 pôsteres científicos.

Segundo o curador da bienal, Bruno Porto, a intenção de analisar os quadrinhos sob critérios específicos fez com que a organização inaugurasse uma categoria dedicada especialmente a eles. "Eles têm aparecido nas últimas três edições pelas beiradas, em projeto gráfico, ilustrações de capas de livro, em infográfico, em jornais. A produção nacional é assombrosa, em qualidade e quantidade. Você vê os principais trabalhos saindo pelo ladrão e que hoje se firmam no mercado internacional, porque dentro do mercado nacional não têm espaço".

Para ele, os brasileiros não tomam gosto pelos quadrinhos pela falta de hábito de leitura em geral. "Não têm leitor no Brasil. Ponto. Não tem leitor de letra, quanto mais de quadrinhos. E você não vai muito além do infantil e do super herói. Hoje, esses gêneros correspondem, respectivamente, a 23% e 24% do mercado. A gente tem muito mais a oferecer", afirma Porto.

O professor Raimundo Lima, do Grupo de Pesquisa em Histórias em Quadrinhos, vinculado ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília concorda com a avaliação de Porto: "O quadrinho também disputa atenção em uma sociedade que cada vez lê menos e de modo muito veloz".

Por isso, para ele, que também já dono da loja Kingdom Comics, especializada no ramo, os quadrinhos tentam, agora, encontrar um lugar como forma de expressão, inclusive em meio às novas tecnologias. "Estamos em um período em que a ideia não é sustentar uma vendagem, mas poder observar como uma cultura de massa pode ser apropriada por outra intenção, que não só a de venda", afirma.

É precisamente isso que leva, segundo Lima, à formação dos vários coletivos de autores e do fortalecimento de obras independentes. "A gente costuma pensar em HQ no aspecto de linguagem, como pode se comunicar com nosso cotidiano, mas a gente sempre esteve ligada à indústria. Se tem cada vez mais um público médio que considera o quadrinho um acessório, há, por outro lado, um número maior de pessoas - e em Brasília é muito evidente - que valoriza artistas independentes, que se volta à HQ como expressão. É um meio de expressão relativamente barato, mais barato que o cinema".

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