Orquestra de jovens da Maré se apresenta neste domingo no Theatro Municipal

Akemi Nitahara - Repórter da Agência Brasil

As três formações do Projeto Orquestra Maré do Amanhã se apresentarão neste domingo (17), pela primeira vez em um concerto próprio, no principal palco da música erudita do Rio de Janeiro: o Theatro Municipal. Ao todo, são 77 jovens que integram as orquestras infantil, com idades entre 5 e 7 anos, a infantojuvenil, até os 13 anos, e a orquestra principal, com 30 jovens a partir de 16 anos.

O criador do projeto, Carlos Eduardo Prazeres, explica que o Maré do Amanhã atende atualmente 2.200 crianças de todas as comunidades que integram o complexo, matriculadas em escolas de ensino fundamental e educação infantil, que fazem musicalização.

"Hoje, com acordo com a prefeitura, estamos musicalizando as crianças de todos os espaços de Educação Infantil (EDIs) da Maré, com crianças a partir de 4, 5 anos. Depois elas vão para uma escola municipal, a Bartolomeu Campos de Queiroz, onde a gente tem uma orquestra infantil, que é a nossa escolinha de música", disse.

Após essa etapa, segundo Carlos, todos vão para a orquestra juvenil, "o nosso juniores, com uma preparação já mais aprofundada, e depois, que já caminham até um certo ponto, vão para a orquestra jovem, o projeto profissionalizante, onde só vão aqueles que tem efetivamente vocação para a música", acrescentou.

Os integrantes da orquestra principal também são os professores de musicalização e da orquestra mirim. O criador do projeto recorda que o trabalho começou em 2010, após o assassinado de seu pai, Armando Prazeres, criador da Orquestra Pró Música do Rio de Janeiro, em 1972, hoje Petrobras Sinfônica, que tinha o cunho social de levar a música clássica para as comunidades.

De acordo com Carlos, a orquestra já se apresentou como convidada em outras ocasiões, mas pela primeira vez será a atração principal. O maestro, Filipe Kochem, já se apresentou no palco do Municipal como violinista, mas agora vai estrear com a batuta, instrumento usado pelo maestro para reger a orquestra. Ele diz que o nervosismo é inevitável, mas procura passar confiança para os jovens músicos.

"Tocar no Municipal é um marco. Indiscutivelmente é o palco da música erudita mais importante do país. A gente já teve algumas oportunidades de assistir a grandes artistas. Os melhores artistas do planeta já tocaram ali. A gente passa de segunda a sexta ensaiando numa escola dentro de uma comunidade e via isso como um sonho. Então a gente pode encarar como um sonho da realização profissional. Eu quero vê-los em outras orquestras também no Theatro Municipal".

O repertório é eclético, montado em acordo com os músicos, destaca Filipe Kochem . "Muitos já estão se preparando para fazer o vestibular, então, na prova, às vezes tem que tocar uma peça específica, então a gente aproveita para tocar essas. Na parte popular muita coisa é que eu gosto, como o medley de cinema, o diretor sugeriu Roberto Carlos e Beatles, e deles vieram a sugestão do pot-pourri da Anitta. A gente ouve eles e acaba adaptando o que cada um está estudando e adaptando para orquestra", disse.

A spalla do violoncelo na orquestra principal, Isadora Barbosa, de 19 anos, está no projeto desde 2012. Para ela, a emoção é grande. "É a primeira vez que a gente se apresenta num concerto nosso, a gente já abriu para outros. Quando estava no começo da orquestra tínhamos aquela curiosidade, e frequentava muito os concertos que tinham lá e em outras salas. Eu falava pra minha amiga do violoncelo: 'a gente ainda vai tocar aí'. É a realização de um sonho, porque é o símbolo máximo da música clássica no Brasil".

Para o futuro, depois de terminar a faculdade de psicologia na Uerj, Isadora pretende se formar também em violoncelo. "Porque eu quero muito dar aula, é um sentimento que eu tenho, quero ensinar tudo o que eu aprendi. Eu sinto que eu posso tudo na minha vida, graças ao projeto, eu atribuo muito ao projeto as condições que eu tenho, fazer faculdade, as viagens, então eu quero muito poder passar isso".

O concerto da Orquestra Maré do Amanhã começa neste domingo, às 11h30. Os ingressos custam R$ 1e vendido apenas no dia do concerto, a partir das 10h, na bilheteria do teatro. Do total de 2.700 lugares do Municipal, 1.200 serão ocupados por parentes e alunos dos espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) das comunidades do Complexo da Maré.

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