Intolerância e respeito às religiões são temas do Prêmio Osé Mimo

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

A segunda edição do Prêmio Osé Mimo de Valorização da Diversidade Étnica e Cultural, cujas inscrições terminam na próxima quarta-feira (20), vai abordar a questão da intolerância e a necessidade de respeito entre as religiões. De julho até a semana passada, a Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos do Rio de Janeiro registrou 32 casos de intolerância religiosa, dos quais oito ocorreram em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, município com o maior número de casas de religião de matriz africana da região.

O nome do Prêmio Osé Mim significa "machado sagrado". Ele foi criado por quatro casas de religiões de matriz africana, que integram o Coletivo Osé Mimo: Ilé A é Efón, liderada pelo Babalori a Elias d'Iansã; Ilé A é Oiyá Iyá Mí, da Iyalori a Rita d'Oiyá; Ilé A é Oiyá Tolore Osun, da iyalori a Neném d'Iansã; e Ilé A é Omin Odara, do Babalori a Carlinhos d'O aguian.

"É inadmissível que as pessoas não nos respeitem. Nós não batemos na porta de ninguém; nós cultuamos a natureza; não ofendemos ninguém e somos atacados", disse a Iyalori a Rita d'Oiyá. Ela afirmou que é preciso que a sociedade conheça o candomblé para compreender que está havendo uma grande confusão. "A coisa está muito agressiva", disse Rita, para completar que "o Osé Mimo vem para mostrar o contrário".

As inscrições podem ser feitas na internet. A premiação ocorrerá no dia 11 de outubro, no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, região central da capital fluminense, e vai homenagear as mulheres, na figura da ialorixá Mãe Beata de Iemanjá, que morreu no dia 27 de maio deste ano. Ela será homenageada por sua trajetória cultural, política e religiosa.

Um balé da companhia de dança Corpafro apresentará a história das iabás (orixás femininos) Iansã, Obá e Oxum, esposas de Xangô, o deus da justiça, que é o patrono do prêmio.

Serão premiadas onze iniciativas ou pessoas em sete categorias: promoção da cultura, manutenção do patrimônio material e imaterial, proteção dos direitos, respeito entre as religiões, serviço social e ações de sustentabilidade, mídia e comunicação e combate ao racismo e à discriminação.

O prêmio tem o apoio da prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

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