Governo de Rio entrega carteira a artesãos e anuncia feira nacional para 2018

Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil

A coordenadora do PAB, Nea Mariozz, entrega a carteira à artesã Silvia Pietroluongo Tomaz Silva/Agência Brasil

A Carteira Nacional do Artesão foi entregue nesta tarde (9) aos primeiros mil cariocas que trabalham com artesanato. Eles receberam o documento em cerimônia organizada pela Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro, no Tijuca Tênis Clube, em evento no qual foi anunciada para maio de 2018 a primeira edição de uma feira nacional voltada para o setor: o Rio Artesanato e Turismo.

Fornecida gratuitamente, a carteira foi criada em 2012 como um desdobramento do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB) e funciona como uma identificação nacional do trabalhador. Entre os benefícios para seus portadores estão facilidades para participar de feiras de artesanato no país e no exterior, para obter crédito e para realizar oficinas e cursos na área.

A subsecretária de Turismo e responsável pelo PAB no Rio de Janeiro, Nea Mariozz, lembrou que, apesar de a profissão do artesão ter sido regulamentada em 2015, pela Lei 13.180, não havia nada que identificasse esse profissional.

Segundo Nea, o governo estadual trabalha para oferecer outros benefícios. "Além de participar das feiras nacionais, o artesão tem possibilidade de obter matéria-prima a preço de atacado, graças à parceria que fizemos com as lojas Casula. Também estamos abrindo frentes de comércio. No Corcovado já há sete novos artesãos - um deles vendeu 1.300 pratos em seis meses. Temos outra frente no AquaRio, onde há mais seis artesãos. E agora fomos convidados para colocá-los na rede hoteleira, na portaria dos hotéis".

A artesã Alice do Espírito Santo Eduardo, moradora do Recreio, espera que a carteira possibilite mais acessibilidade às feiras, que muitas vezes cobram altos valores dos participantes. Trabalhando com pintura decorativa em madeira há cinco anos, ela considera que espaços para exposição são essenciais para fomentar o artesanato.

"A crise econômica afeta todas as áreas, e com o artesanato não é diferente. Mas, ao mesmo tempo, há uma contrapartida, porque tem tido muitas feiras. Houve uma época em que nosso trabalho não era muito valorizado, com a concorrência de produtos que vinham do exterior, mas hoje já há mais oportunidades".

Para Suzana Maria Costa Moreira, que trabalha com crochê há mais de 40 anos, a carteira é parte de um processo em que o estado vem proporcionando visibilidade para os artesãos, levando-os para eventos e feiras. "Ninguém me conhecia, e hoje eu dou entrevistas", disse a artesã, que atualmente ela também dá aulas para idosos.

Para Suzana, o artesanato deve ser divulgado também como medida terapêutica. "Já foi comprovado que o crochê, além de ser um exercício manual, possibilita trabalhar a mente, evitar o [mal de] Alzheimer e diversos outros tipos de doença, até mesmo o câncer. Algumas das minhas alunas reduziram remédio para controle de pressão arterial", afirmou.

Outro beneficiado com o recebimento do documento, o mecânico Ricardo da Silva encontrou no artesanato um fonte de complementação de renda. Silva, que produz peças em ferro e vende no seu ateliê e em eventos culturais, espera ter apoio do poder público. "Acho que vai ajudar principalmente quando for fazer exposição nas praças públicas, para obter autorização. Essa carteira vai favorecer, porque o pessoal irá saber que você é um artesão".

Cadastro

Para o governo estadual, a carteira possibilita ter uma dimensão do setor, já que os artesão precisam ser cadastrados antes de recebê-la.

Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o artesanato envolve 8,5 milhões de pessoas no país, que movimentam cerca de R$ 50 bilhões por ano.

Os dados específicos do estado do Rio de Janeiro ainda são inexistentes. "Os números nós vamos saber no momento em que tivermos todos eles [artesãos] cadastrados. Aí poderemos ter uma noção do quanto o artesanato representa economicamente para o estado", disse o secretário de Turismo, Nilo Sérgio Felix.

Ele acredita que a força econômica do artesanato pode ser potencializada pelo turismo. "As pessoas que visitam o Rio de Janeiro gostam de levar uma lembrança. O artesanato é uma forma de você comprar uma coisa regional e simbólica a um custo barato", diz.

Até o momento, foram cadastrados 10.061 artesãos em todo o estado do Rio de Janeiro. Destes, cerca de 2.100 já receberam a carteira. Além dos mil que tiveram acesso à carteira na cerimônia desta segunda-feira, 1.100 profissionais que residem no interior já contam com o documento.

O cadastro começou a ser feito em abril, na cidade de Angra dos Reis, e a expectativa da pasta é concluí-lo até o ano que vem. O cadastro é composto de quatro etapas: recolhimento de dados pessoais, levantamento de dados socioeconômicos, comprovação e registro de foto. Para a comprovação, o artesão precisa produzir uma peça na frente de funcionários da Secretaria de Estado de Turismo.

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