Banda da Polícia Militar presta homenagem a policiais mortos no Rio de Janeiro

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

A Banda Sinfônica da Polícia Militar do Rio de Janeiro promoveu hoje (2), Dia de Finados, um concerto no manifesto Paz para o Rio, em homenagem aos 114 policiais militares assassinados este ano no estado. A homenagem foi proposta pela administração do Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste da capital, e aceita imediatamente pela corporação, disse o major Ronaldo Almeida, comandante da Companhia de Músicos da PM.

A homenagem aos mortos, ao mesmo tempo em que lembra a tristeza da perda de entes queridos, quer falar de esperança e de vida, disse Ronaldo Almeida. Segundo o major, 2017 não é um ano comum. "A gente não tem como comum a morte de tantos policiais em um período tão curto assim, e a gente viu nessa parceria [com o Jardim da Saudade] a oportunidade de poder honrar os nossos policiais que derramaram o seu sangue em prol da sociedade".

A intenção, disse o comandante da Companhia de Músicos, é dar relevância ao fato e não deixar passar em branco. "A gente quer dizer para os familiares que eles não morreram em vão, que a sociedade se vê protegida".

Ronaldo Almeida disse que nenhuma profissão jura proteger a vida de ninguém com o sacrifício da própria vida. "A do policial, não. A gente faz um juramento com sacrifício da própria vida. E isso tem se cumprido, infelizmente. Não é o que a gente deseja mas, infelizmente, tem acontecido aqui, no Rio de Janeiro, e mesmo assim a Polícia Militar vem cumprindo a sua missão diariamente".

O cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, lamentou a onda crescente de violência que tem vitimado não só policiais militares mas civis, no estado. "Nós temos uma sociedade doente, em que temos que mudar muitos parâmetros. Essa sociedade tomou um caminho errado e tem que voltar para Deus, para os valores do Cristo de amar a Deus e fazer o bem ao próximo. Tanta gente sendo morta. Este não é o mundo que nós queremos. Precisamos mudar, ter valores cristãos".

O chefe do Estado-Maior da PM, coronel Lúcio Flávio Baracho, disse que a corporação está trabalhando para que esse ciclo de violência se encerre. "É um trabalho que tem de ser prestado a toda a sociedade. É um policiamento com ostensividade, a presença permanente e firme da Polícia Militar. A ostensividade vai inibir o crime", assegurou.

Famílias

Parentes de todos os PMs mortos este ano no estado foram convidados pela organização do concerto-manifesto. Esrom Mendes Marins, pai do primeiro-tenente Márcio Leandro do Nascimento Marins, lotado no 22º Batalhão da Polícia Militar, na Maré, zona norte do Rio,  assassinado em fevereiro, lamentou a morte de todos os PMs.

"Eu gostaria que não houvesse essa homenagem e que eles estivessem de pé. Acho que essa homenagem está chegando um pouco tarde, porque nós temos que dar flor a quem enxerga flor; nós temos que abraçar a beijar quem pode sentir nosso abraço e nosso beijo. E ele não está aqui para sentir isso. Quem está sentindo somos nós". Esrom Marins disse que seria melhor se a homenagem fosse prestada aos policiais enquanto vivos. "Nós temos que amar as pessoas enquanto elas estão percebendo que estão sendo amadas".

Presentes ao ato, integrantes do movimento de esposas e familiares de policiais militares "Somos Todos Sangue Azul" ofereceram apoio às famílias dos PMs assassinados. Rogéria Quaresma, mulher de um subtenente da corporação, disse que a luta das esposas é para "não sermos a próxima viúva". "O nosso movimento é isso, apoiar umas às outras. Somos todas por todas. Só quem perde sabe o que necessita quando perde o seu herói", acrescentou Rogéria.

Do repertório do concerto, constaram músicas que falam não só de saudade, mas também de amor, paz, amizade, esperança. Entre elas, a versão do grupo Roupa Nova para a canção Heal the World, de Michael Jackson; Canção da América, de Milton Nascimento; Um Novo Tempo, de Ivan Lins. Também foi tocada a Canção do Policial Militar, "que a gente diuturnamente toca quando os policiais militares mortos em combate são enterrados, no momento do funeral", lembrou o major Ronaldo Almeida.

 

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