Cemitérios do Distrito Federal devem receber 800 mil pessoas

Ivan Richard Esposito - Repórter da Agência Brasil

Brasília - Movimentação no Cemitério Campo da Esperança no Dia de Finados (Wilson Dias/Agência Brasil)

Nem a previsão de chuva para esta manhã no Distrito Federal desanimou o brasiliense, que saiu de casa cedo para prestar homenagens aos parentes mortos, no Dia de Finados. Segundo estimativas da Polícia Militar do Distrito Federal, até o meio dia mais de 75 mil pessoas estiveram no Cemitério Campo da Esperança, maior do capital do país. Até o final do dia, a expectativa é de que aproximadamente 250 mil pessoas passem pelo local e 800 mil visitem os seis cemitérios do DF.

O auxiliar administrativo Wagner Ignácio Rabelo foi um dos que aproveitou o tempo nublado e o clima mais ameno para visitar o túmulo da mãe, morta em 2004. Segundo ele, desde a perda da mãe vai ao cemitério prestar homenagens e matar a saudade, pelo menos duas vezes por ano.

"Todo ano eu venho e não apenas hoje. O Dia de Finados é muito importante para mim porque a minha mãe gostava muito de receber visitas o ano todo. Então, por que depois que morre não visitá-la? A nossa família sempre teve o hábito de visitar os amigos, as pessoas queridas nas situações boas, mas também nas ruins", disse.

Rabelo, no entanto, reclamou das interdições feitas no trânsito próximo ao cemitério e da infraestrutura oferecida pelo local. "Disponibilizaram banheiros, mas não está sendo feita a limpeza, tem água, mas não tem copo. Não está muito legal".

Hoje, o Cemitério Campo da Esperança, localizado no final da Asa Sul, no Plano Piloto, e os de Taguatinga, Gama, Sobradinho, Planaltina e Brazlândia ampliaram o horário de funcionamento e o acesso será permitido até as 19 horas. Além disso, foi montado um esquema especial de atendimento, com ampliação do número de funcionários.

Se para alguns o Dia de Finados é sinônimo de tristeza e saudade, para outros, é um dia de comemoração. Aos 78 anos, a vendedora Maria Gonçalves Barbosa, logo cedo, atravessava a pé, sozinha, mais de dois quilômetros, em passos lentos e apoiada no seu guarda-chuvas, o percurso final até seu box de flores. Mesmo em tratamento de um câncer, praticamente todos os dias ela vai ao local, que hoje é administrado pelo neto.

Dona de um box localizado próximo ao Campo da Esperança há 46 anos, ela contou à Agência Brasil que, ao lado do dia das mães, finados é o melhor período de vendas. "Finados é melhor ainda porque não tem tabela [de preços]. Já chegamos a faturar até R$ 12 mil em apenas um dia", disse.

Mas o clima dos demais comerciantes do local é de revolta devido ao crescimento do número de ambulantes. Para a presidente da Associação dos Vendedores de Flor (Assflor), Maria José Barbosa, vários empresários já fecharam as portas deviso à concorrência dos ambulantes, que montam barracas próximo a entrada principal do cemitério. Já os boxes estão instalados a cerca de um quilômetro do local.

"Tem muito tempo que a gente reclama. Eles [ambulante] ficam ali [na entrada do cemitério] não apenas hoje, mas o ano todo. A fiscalização passa e não retira", reclamou. Segundo ela, a presença dos ambulantes reduziu drasticamente as vendas. "Nós pagamos imposto, taxa do box. Não temos como competir com o preço que os ambulantes fazem".

De acordo com Maria José, o Dia de Finados, melhor do calendário para o setor, agora tem lucro semelhante aos domingos, em que apenas cinco dos 15 boxes do local ficam abertos, em esquema de plantão. "Estamos sendo prejudicados mesmo", lamentou.

 

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