Morte de jovem em Santo André tem indício de execução por policiais, diz Condepe

Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil

Um jovem de 14 anos foi morto por policiais militares na tarde do último domingo (5) no bairro Parque João Ramalho, município de Santo André, atingido no pescoço por disparo de arma de fogo. Para o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador da Comissão da Infância e Juventude do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), que está acompanhando o caso, "existem indícios de que ele foi executado pelos policiais". O adolescente foi enterrado hoje (7).

De acordo com dois rapazes que testemunharam a ocorrência, um policial militar fez um disparo para cima e depois apontou para cerca de dez pessoas que estavam em uma viela, disparando mais duas vezes contra elas. Um desses disparos matou o jovem. Desde o homicídio, Ariel está coletando depoimentos de testemunhas e conversando com os delegados responsáveis pela investigação.

"Amanhã vamos encaminhar um pedido para que o Ministério Público designe um promotor para acompanhar o inquérito policial", disse. A Secretaria de Segurança Pública informou, em nota, que todas as circunstâncias dos fatos estão sendo apurados no inquérito policial militar instaurado pelo 10º Batalhão da PM e acompanhado pela Corregedoria da PM, além da investigação no 2º Distrito Policial (DP) de Santo André.

Ocorrência

O caso foi registrado pelos policiais como "morte decorrente de oposição à intervenção policial". O boletim de ocorrência descreve uma cena de troca de tiros entre o jovem Luan de Souza, que estaria com um revólver calibre 38, e o cabo Alécio José de Souza, com uma pistola calibre .40. O rapaz foi atingido no pescoço e morreu no local.

No entanto, no mesmo boletim, os policiais disseram que nenhuma arma de fogo foi encontrada em posse de Luan. Outros dois rapazes foram abordados no entorno, logo após o assassinato, e nenhuma arma nem nada irregular foi encontrado com eles. "[A morte do jovem foi] resultado de uma ação desastrosa dos policiais", avaliou Ariel. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do estado, os policiais envolvidos na ocorrência foram afastados do serviço operacional.

Moto furtada

Os policiais procuravam ladrões de uma moto que havia sido furtada do pátio de apreensão de veículos da prefeitura de Santo André. Segundo os PMs, com a aproximação da viatura, os jovens saíram correndo e então teria começado a suposta troca de tiros.

"Moradores viram PMs tirarem o corpo do lugar para colocá-lo próximo da moto furtada. Uma outra testemunha viu o mesmo PM [autor dos disparos] sair dando risadas e dizendo 'subiu mais um', com referência à morte de Luan", contou Ariel. Os jovens que estavam com Luan antes dos disparos tentaram voltar para prestar socorro, mas foram impedidos pelos policiais.

Segundo Ariel, a mãe e o irmão de Luan foram ao 2º DP da cidade na noite do homicídio, onde foi registrado o boletim, mas foram informados pelos policiais civis para "voltar no dia seguinte, porque já estavam ouvindo os PMs e não precisava ouvir mais ninguém", disse o advogado.

Dois rapazes foram levados para a delegacia, mas como não havia provas contra eles no caso do furto da motocicleta, foram liberados logo após o registro do boletim. O inquérito foi instaurado no 2º DP e será presidido pelo delegado Georges Amauro Lopes. Familiares e testemunhas estão sendo chamados para prestarem depoimento.

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