PF investiga pagamento de R$ 2 milhões em propinas a Teotônio Vilela Filho

Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil

Ex-governador de Alagoas Teotônio Vilela FilhoArquivo/Antônio Cruz/ABr

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram hoje (30) a Operação Caribdis, com o objetivo de investigar irregularidades na contratação de obras do Canal do Sertão, em Alagoas. Entre os investigados está o ex-governador do estado Teotônio Vilela Filho (PSDB), que, segundo investigadores, é suspeito de ter recebido mais de R$ 2 milhões em propinas por meio dessas obras. Ele governou o estado por dois mandatos consecutivos, entre 2007 e 2015. Os crimes ocorreram entre 2009 e 2014.

A expectativa é de que nas ações de hoje sejam colhidas novas provas a fim de confirmar se houve irregularidades nas obras do canal, que foram licitadas pelo governo de Alagoas, por meio da Secretaria da Infraestrutura. Caso se confirmem as suspeitas dos policiais, os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção, fraude à licitação, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A PF foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a utilizar também provas obtidas por meio de delações premiadas feitas por pessoas ligadas à construtora Odebrecht.

A PF informou, em comunicado, que relatórios do Tribunal de Contas da União constataram sobrepreço em contrato firmado entre o governo de Alagoas e a construtora, no montante de R$ 33,9 milhões. Também está sendo investigada a existência de acordo de divisão de lotes da obra com a construtora OAS.

Já foram cumpridos todos os 11 mandados de busca a apreensão em Maceió e região metropolitana, Salvador, Limeira (SP) e Brasília , segundo a PF. O material apreendido será levado à Superintendência da PF em Alagoas, para análise. Os mandados foram feitos a pedido da 2ª Vara Federal de Alagoas.

Por meio de nota, Teotônio Vilela Filho disse ter "consciência de que não praticou nenhum crime e que a verdade será restabelecida" e que assegura ser "o maior interessado na elucidação dessas investigações". O político afirma que "continuará à disposição das autoridades, contribuindo no que for preciso".

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