Pezão diz que não resistiu à proposta de intervenção federal na segurança

Marcelo Brandão - Repórter da Agência Brasil *

Brasília - Presidente Michel Temer e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, na cerimônia de assinatura de decreto de intervenção federal na segurança do estado (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, disse hoje (16) que já vinha pedindo que o presidente da República, Michel Temer, autorizasse o emprego de tropas militares numa missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ampliada no estado. As conversas avançaram e a conclusão foi pelo comando federal das forças de segurança locais.

"Eu aceitei prontamente, não tive resistência nenhuma. Vejo como uma parceria. Acho que no Brasil vai ser o grande tema a ser discutido. Segurança pública é uma chaga hoje no país", disse o governador.

Pezão negou sentir-se "diminuído" com a entrega da segurança pública do Rio de Janeiro ao governo federal. Ele afirmou que é uma "oportunidade única" e acrescentou que já vinha tratando essa possibilidade com o governo federal há cerca de um ano.

O governador não tomará nenhuma decisão sobre o status do secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Roberto Sá. Com a segurança pública do estado entregue às forças federais, Sá perde o comando que tinha e, na prática, pode até ser exonerado. Segundo Pezão, o futuro do secretário ficará a cargo do general Walter Souza Braga Netto, chefe do Comando Militar do Leste, escolhido para comandar a intervenção.

"Vamos ver o que o general Braga Netto vai fazer. Ele vai conversar, ele se dá muito bem com Roberto Sá. A gente tinha uma ótima integração com o Comando do Leste. Ele vai ter a autonomia, como o Roberto Sá teve, de escolher seus auxiliares. Nunca interferi e muito menos agora", disse.

Queda de receita

Pezão relacionou a crise de segurança com a crise financeira do estado, já que os servidores da área passaram a trabalhar de forma precária. "Tivemos problemas financeiros graves, e ainda temos. Temos cerca de 60% da nossa frota paralisada, ainda devemos o 13º salário de 2016. Foi um quadro muito difícil para nossa área de segurança trabalhar".

O governador disse que não se sente culpado pela crise no estado. Segundo ele, a queda de receita dos royalties do petróleo foi responsável pelo problema. E lamentou a queda do preço do barril do petróleo pouco depois de ter assumido o governo. "Eu não sou culpado de ter chegado em abril com US$ 115 o barril do petróleo, governar um ano e dois meses com o preço do barril a US$ 28, depois quase um ano a US$ 32 o barril. O Rio tem uma dependência muito forte do petróleo. Tivemos uma queda de receita de 26%. Não é trivial".

* Colaborou Alex Rodrigues

 

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