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Operação contra roubos de cargas prende sete e mata uma pessoa no Rio

Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil

04/04/2018 19h32

Uma operação conjunta do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil contra o roubo de cargas prendeu hoje (4) sete pessoas, apreendeu produtos roubados e matou uma pessoa, ainda não identificada, que reagiu à ação dos agentes policiais. Os presos atuavam em conluio com traficantes, com quem dividiam os lucros da venda de mercadorias roubadas. O esquema envolvia ainda atravessadores, que compravam as mercadorias, e vendedores ambulantes, alguns dos quais recebiam diárias para atuarem na comercialização dos produtos em diversos pontos do Rio de Janeiro. "Eles não pertencem a nenhuma facção específica. Fazem contato com os traficantes de diversas comunidades, encomendando a mercadoria. Ou quando os traficantes roubam uma carga qualquer, contatam esse grupo. E tudo isso vai acabar em comércio de rua, em camelôs, nos vagões de trem, em restaurantes e em mercados pequenos no interior dos bairros", explicou o delegado Delmir Gouvea, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC). O esquema envolvia os mais diversos produtos, incluindo alimentos, roupas e cosméticos. Investigações As investigações levaram mais de 6 meses e incluíram escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. De acordo com o MPRJ, a organização criminosa agia na zona norte do Rio de Janeiro ao menos desde meados de 2017. Grande parte dessas mercadorias roubadas foram descarregadas nas favelas Pica-pau, Dick, Ficap e Furquim Mendes. Os envolvidos no crime responderão por roubo, formação de quadrilha e organização criminosa. As investigações apontam ainda que agentes de segurança pública do estado receberam dinheiro para não realizarem prisões em flagrante. O delegado Delmir Gouvea disse que as investigações envolvendo o grupo desarticulado na operação de hoje terão sequência. "Estamos fazendo um trabalho para levantar os locais de transbordo de carga. E uma vez a Polícia Militar seja informada, poderá fazer o policiamento preventivo e ostensivo no acesso à comunidade. Não é na comunidade, porque daí você pode ter confronto e gente ferida. A ideia não é essa. Até porque caminhão não faz curva fechada, não sobe ladeira e não entra em beco", disse. Numa outra linha, também estão sendo identificados chefes de quadrilhas de tráfico que estão em presídios estaduais e federais e, mesmo assim, continuam dando ordens e auferindo lucro com roubo de cargas. Eles também serão indiciados. * Colaborou Tatiana Alves, repórter da Rádio Nacional do Rio de Janeiro