Primeiros venezuelanos remanejados de Roraima são acolhidos na capital paulista

Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil

Refugiados venezuelanos se preparam para deixar Boa Vista com destino a São Paulo e CuiabáAntonio Cruz/Agência Brasil

Os primeiros venezuelanos trazidos para São Paulo como resultado do processo de interiorização desenvolvido pelo governo federal e pela ONU chegaram hoje (5) à capital paulista. Inicialmente vieram 74 homens encaminhados nesta tarde para o Centro Temporário de Acolhimento (CTA) do governo municipal localizado em São Mateus, na zona leste da cidade. A Secretaria Municipal de Assistência Social informou estar preparada para receber um total de 160 imigrantes entre hoje e amanhã.

Já a Missão Paz - entidade da sociedade civil que acolhe imigrantes, conhecida também como Casa do Migrante -, localizada no bairro do Glicério, centro da cidade, recebeu 18 venezuelanos por volta das 16h30 de hoje, sendo que seis são crianças. Segundo o padre Paolo Parisi, que coordena a entidade, há capacidade para acolher até 39 pessoas no local. Além do CTA de São Mateus e da Missão Paz, o CTA de Santo Amaro, na zona sul, também deve receber venezuelanos até amanhã.

De acordo com a Casa Civil do governo federal, que coordena o processo de interiorização, um total de 116 imigrantes decolaram de Roraima hoje com destino à capital paulista, trazidos por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Amanhã (6), mais 83 imigrantes devem desembarcar na cidade.

Só solteiros

Diferentemente da Missão Paz, que abriga famílias, o contingente de venezuelanos enviado aos equipamentos municipais inclui somente homens e mulheres solteiros. Segundo o secretário municipal de Assistência Social, Filipe Sabará, essa definição se deu para que o acolhimento fosse feito de forma organizada. "Foi uma decisão conversada com o Alto Comissariado [para Refugiados] da ONU, já que no passado houve uma dificuldade de organização de acolhimento para imigrantes. Então, nossa decisão foi priorizar homens e mulheres solteiros nesse grupo inicial de 300 pessoas, para que a gente possa entender o fluxo, os processos e o encaminhamento correto dessas pessoas", disse.

Entre os anos de 2014 e 2015, a capital paulista teve uma experiência negativa na acolhida de imigrantes haitianos. Muitos não se adaptaram aos lugares em que foram alojados, que eram os antigos albergues para população em situação de rua e não tinham estrutura adequada às suas necessidades. Agora, de acordo com Sabará, os equipamentos de acolhimento, mesmo aqueles originalmente construídos para a população em situação de rua, estão com uma estrutura melhor.

Empregos

A reportagem da Agência Brasil observou que pessoas em situação de rua que procuraram acolhimento hoje no CTA de São Mateus foram informadas que não poderiam ser atendidas no local devido à ocupação pelos venezuelanos. Questionada, a Secretaria de Assistência Social informou que ninguém ficou sem abrigo e que as pessoas que chegam nestes CTAs específicos são encaminhadas pela prefeitura para outros centros de acolhida. Os CTAs de São Mateus e Santo Amaro ficarão exclusivos para atendimento dos imigrantes venezuelanos neste momento.

O prazo de permanência deles nos centros de acolhimento não foi definido pela prefeitura, mas, segundo Sabará "historicamente imigrantes tendem a se desenvolver e encontrar um emprego rapidamente. Nosso papel agora vai ser acolher essas pessoas da melhor forma e viabilizar o contato com as empresas".

"Estamos fazendo [contato] com a Câmara de Comércio da Espanha, da Venezuela e de outros países de língua espanhola, para que possamos conseguir vagas de empregos para essas pessoas que, em sua maioria, têm ensino médio ou superior", falou o secretário.

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