MTST cobra moradia para famílias do Morro do Bumba oito anos após tragédia

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocuparam, nesta sexta-feira (6), um terreno em Niterói, na região metropolitana do Rio, oito anos depois do deslizamento do Morro do Bumba, que deixou dezenas de mortos e desabrigados. Os manifestantes cobram a concretização de promessas de moradia para as famílias atingidas, que participam da ocupação.

Segundo a coordenadora estadual do MTST, Fabiana Batista, cerca de 100 famílias estão na ocupação, que deve receber novos manifestantes nos próximos dias e aumentar para até 500 famílias.

A escolha do terreno ocupado se deu para que também fosse cobrada a construção de um posto de saúde no local. Segundo os manifestantes, a obra já chegou a ser anunciada, mas sequer começou.

Procurada pela Agência Brasil, a Prefeitura de Niterói respondeu que "tem avançado no diálogo com os integrantes do MTST na questão relacionada com as moradias", que serão construídas em um terreno no bairro do Sapê, onde fica a ocupação. O local para  a as moradias foi indicado pelas famílias, que agora aguardam a conclusão das obras.

"A prefeitura já desapropriou o terreno, fez o estudo topográfico e o projeto. A administração municipal também atuou junto ao Congresso Nacional para liberação de emendas parlamentares que garantirão a execução do projeto", disse a prefeitura de Niterói.

Esta é a segunda vez que o MTST faz uma ocupação para cobrar moradias para essas famílias. Em 2015, os manifestantes ocuparam um terreno para chamar atenção para a falta de resposta ao desastre. Na época, segundo Fabiana, os manifestantes aceitaram sair por causa do avanço nas negociações, mas, nos últimos dois anos, o diálogo não progrediu.

"Queremos uma reunião com o prefeito [Rodrigo Neves]. Com as pessoas que a gente tem tido diálogo, não tivemos um avanço real", disse a coordenadora. "Hoje, queremos sair do terreno com uma resposta concreta e mais firme."

Além da moradia e do posto de saúde, a ocupação é um protesto contra a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, assinada na quinta-feira (5) pelo juiz federal Sérgio Moro, e contra o assassinato da vereadora Marielle Franco  e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março, no Rio.

Defesa Civil

Sobre moradias em áreas de risco, a prefeitura de Niterói afirmou que o projeto de mapeamento de áreas de risco está em fase final. Nos últimos cinco anos, o município afirma ter investido R$ 150 milhões em mais de 50 obras de contenção de encostas em diversas regiões na cidade, além de ter assumido as sirenes de alerta do governo do estado.

Para o próximo mês, está previsto o lançamento de uma licitação para obras no Morro do Arroz, na zona norte da cidade. Os investimentos devem chegar a R$ 3,3 milhões.

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