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PM dispersa manifestação para evitar ocupação do Ministério da Educação

Maiana Diniz - Repórter da Agência Brasil

10/04/2018 18h38

Uma manifestação na porta do Ministério da Educação, na Esplanada dos Ministérios, na tarde desta terça-feira (10), terminou em confronto entre policiais militares e manifestantes. Os manifestantes, funcionários, professores e estudantes da Universidade de Brasília (UnB), reivindicavam recursos para a universidade. Brasília - Estudantes e servidores da Universidade de Brasília protestam por mais recursos para a universidade (Antonio Cruz/Agência Brasil) A Polícia Militar usou gás lacrimogênio, gás de pimenta e balas de borracha para dispersar a manifestação, após um grupo de mascarados atirar pedras e pedaços de pau nos policiais que tentavam impedir a entrada dos manifestantes no prédio do ministério. A estudante de Direito Bruna Araújo participou do ato e disse que a ação policial foi desproporcional ao número de manifestantes. "Na medida em que mais pessoas começavam a chegar no ato, começou a se espalhar entre os participantes a pergunta "vamos entrar no prédio ou não vamos", e a polícia começou a se preparar. O número de policias no local foi só aumentando", disse. A Polícia Militar não revelou o número de policiais envolvidos na operação, mas informou que além da tropa do 6º Batalhão, havia tropas especializadas como cavalaria, batalhão de choque e o Patamo. Por volta das 11h30, houve o primeiro confronto entre policiais e alguns estudantes. "Após os manifestantes fecharem a Via N1 [via de acesso ao anexo do ministério], começaram a chegar vários camburões e ônibus cheios de policiais, além da cavalaria. Houve muita correria devido às bombas de efeito moral e tiros de borracha", disse a estudante Bruna Araújo. Polícia Militar Brasília - Policiais minitares se posicionam na porta do MEC para evitar uma invasão (Antonio Cruz/Agência Brasil) O comandante do Batalhão Esplanada, da Polícia Militar, major Cassaro, disse que por volta das 9h30 chegou um grupo de cerca de 400 pessoas no Ministério da Educação, e que tropa se posicionou para evitar a invasão do prédio, já que as palavras de ordem do carro de som era de "invadir o MEC". Segundo major Cassaro, por volta das 14h um grupo de mascarados jogou pedras e pedaços de pau contra as tropas, além de picharem palavras de ordem e quebrarem vidros da fachada do MEC. "A partir do momento que a tropa é agredida, acaba a manifestação. A ordem de dispersão é iminente e a dispersão é total. Foram usados todos os equipamentos de uso não letal que a polícia possui até a dispersão total dos manifestantes." O comandante disse que desde o começo o ato passou a ideia de agressividade, pois havia pessoas mascaradas e com mochilas com pedaços de pau, mas eram minoria. "Havia um pequeno grupo exaltado, formado por pessoas mascaradas, que já vêm mal intencionados. Logo que chegaram [à porta do Ministério da Educação] quebraram alguns vidros. Um indivíduo foi preso e um segundo foi identificado, mas ainda não foi detido". Negociação interrompida O coordenador geral do DCE/UnB, Hélio Barreto, estava no prédio do MEC com representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (SintFub), da Fasubra e do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), para participar de uma reunião com representantes do ministério no momento em que a confusão teve início. Ele não acompanhou a ação policial. "Fomos recebidos por volta das 14h para uma reunião com o secretário de Finanças da Secretaria de Ensino Superior do MEC, mas o confronto externo deu o argumento para que a reunião fosse cancelada.", explicou. Segundo ele, a invasão do prédio não era vontade da maioria dos manifestantes presentes e nem foi provocado pelas entidades que organizaram o ato. Barreto disse que a principal reivindicação da manifestação é a necessidade de uma suplementação orçamentária. "O MEC não está mentindo quando diz que aumentou o recurso da UnB, isso é verdade. Mas não aumentou o suficiente para acompanhar a progressão de gastos com pessoal, gerando cortes em outras áreas. A segunda demanda é que o MEC libere o recurso gerado pela UnB e emendas parlamentares, que somam R$ 14 milhões e estão bloqueadas". Posição do MEC Por meio de nota, o Ministério da Educação confirmou que "suspendeu a reunião com representantes da UnB após manifestantes encapuzados quebrarem janelas com paus e pedras e tentarem invadir o prédio sede do MEC". A reunião contava com seis representantes de professores, alunos e servidores, além da equipe da Secretaria de Educação Superior e da Secretaria Executiva do Ministério, e serviria para "receber as reivindicações e apresentar a real situação orçamentária e financeira da UnB". O comunicado também diz que a UnB já recebeu 60% dos recursos para custeio de 2018 e que "portanto, não procede a informação que a instituição pode fechar nos próximos meses por falta de recursos". De acordo com o MEC, a UnB foi a universidade que mais gastou com despesas correntes para apoio administrativo, técnico e operacional, totalizando R$ 80 milhões, valor superior ao gasto por universidades de mesmo porte, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que gastou R$ 60 milhões com esse tipo de despesa. O ministério disse que "os problemas enfrentados pela UnB são no âmbito da gestão interna da instituição, uma vez que a aplicação dos recursos garantidos e repassados pelo MEC é definida pela universidade como prevê a autonomia administrativa, de gestão financeira, orçamentária e patrimonial, de acordo com a Constituição Federal".