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Imigrantes fazem manifestação e greve de fome para entrar nos EUA

10/05/2018 12h53

Com o recrudescimento da política imigratória e a busca por um maior controle na fronteira entre o México e os Estados Unidos, uma manifestação de imigrantes da América Central, que acontece anualmente desde 2010, acabou em conflito, com envio da guarda nacional à fronteira e uma greve de fome de 15 imigrantes. Os imigrantes, que participam da chamada Via Crucis do Imigrante, protestam no estado de Oaxaca por ainda não terem recebido vistos humanitários temporários. Segundo entidades de defesa humanitária, os vistos foram prometidos pelo presidente do México, Enrique Peña Nieto. A maioria dos imigrantes é proveniente de Honduras, Guatemala e El Salvador, mas segundo a ONG Povo Sem Fronteiras, os vistos ainda não foram concedidos a todos. O grupo tinha cerca de mil pessoas quando a viagem começou no final de março, no sul do México. De acordo com a imprensa local, parte deles agora está no estado de Oaxaca, a cerca de mil quilômetros da fronteira com os Estados Unidos. Agências internacionais que acompanham a caravana relatam que o grupo já teria se separado, e pelo menos 200 pessoas partiram junto a um carregamento de mercadorias, conhecido como La Bestia, chamado localmente de comboio da morte, pelo perigo relacionado à presença de cartéis de drogas e contrabando na região.

Pressão

O México recebe imigrantes de países da América Central, muitos deles com alto grau de violência e presença de cartéis de drogas, que tentam chegar aos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que é pressionado pelo governo de Donald Trump para não "facilitar" a entrada desses imigrantes em território norte-americano. A pressão já existia na administração de Barack Obama. Entre 2014 e 2017, o México deportou mais de 420 mil pessoas da América Central. Mas o governo Peña Nieto é pressionado também por entidades de direitos humanos para permitir a passagem ou a permanência temporária dos cidadãos centro-americanos. Agora, com a gestão Trump, a pressão aumentou, inclusive porque uma das diretrizes do governo norte-americano é a construção do muro fronteiriço, projeto pendente de liberação de verbas no Congresso americano.

Manifesto

As caravanas Via Crucis surgiram em 2010, no mesmo ano em que foram encontrados 72 corpos de imigrantes da América Central e da América do Sul em uma vala comum em Tamaulipas, estado mexicano, próximo à fronteira com o Texas, sul dos Estados Unidos. Na época, sobreviventes contaram que os imigrajtes foram mortos ao se recusar a pagar a cartéis e coiotes da região, para a travessia. Desde então, são realizadas anualmente manifestações com a presença de entidades e coletivos locais de apoio humanitário. Em abril, antes do início da caravana, o presidente Trump classificou o governo mexicano como "permissivo" em relação à entrada de grandes fluxos "de drogas e de pessoas nos Estados Unidos". O governo norte-americano já confirmou a presença de 2,4 mil homens da guarda nacional na fronteira do Texas, Arizona e Califórnia, para prevenir a chega de imigrantes.