Com 60 kg de sal, católicos fazem tapete para celebrar Corpus Christi

  • Rafael Arbex/Estadão Conteúdo

    Tradicional tapete de Corpus Christi enfeita a entrada da Igreja de Nossa Senhora do Brasil, na zona oeste de São Paulo

    Tradicional tapete de Corpus Christi enfeita a entrada da Igreja de Nossa Senhora do Brasil, na zona oeste de São Paulo

Católicos de paróquias da Arquidiocese do Rio de Janeiro trabalham desde o início da manhã de hoje (31) na confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi na Catedral Metropolitana de São Sebastião. Montados com até 60 quilos de sal e serragem coloridos, os tapetes trazem imagens cristãs, mensagens de fé e a identificação da paróquia dos autores.

O caminho de tapetes se estende desde o altar da catedral até a Avenida Chile, de onde o arcebispo Dom Orani Tempesta estará às 15h30, levando o ostensório com o Santíssimo, que representa o corpo de Jesus Cristo na fé católica. Na procissão, apenas o arcebispo passa por cima dos tapetes, enquanto outros sacerdotes e religiosos andam pelas laterais.

Sentada no meio-fio bem em frente ao tapete de sua paróquia, a assistente financeira Renata dos Santos, de 40 anos, descansava depois de cinco horas de trabalho para concluir uma imagem de Nossa Senhora em tons de rosa e roxo. Ela chegou à catedral ainda durante a madrugada e trouxe o marido e filhos para participar do trabalho.

"Escolhemos as cores lilás e rosa mais claro para ficar uma coisa mais singela. A gente começa a pedir na paróquia quatro meses antes a contribuição da comunidade, e trabalha só com o que é doado", conta ela, que faz parte de um grupo de oito pessoas que veio da paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Tomás Coelho, na zona norte do Rio.

Fé em Jesus

Este é o oitavo ano em que Renata participa da montagem do tapete de sua paróquia e, mesmo cansada, sorri ao falar de sua fé: "Para Jesus, a gente faz sempre o melhor. Uma vez por ano ainda é pouco, porque ele nos dá sete dias por semana".

O tapete mais próximo do altar é o da própria catedral, e os cinco tapetes seguintes são de seminaristas da igreja. A partir daí, os mais de 70 desenhos de sal estão organizados em ordem de chegada, e os primeiros da fila vieram da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Caxambi, também na zona norte. Eles chegaram às 3h30 da manhã, depois de terem concluído o tapete na rua de sua própria paróquia, à 1h.

"Somos 11, e cada um fica fazendo uma parte, ajudando a misturar o sal, colocar no desenho. Cada um faz um trabalho", conta o carteiro Leonardo Soares da Silva de 39 anos.

O desenho do grupo se inspirava em vitrais e tinha a imagem de uma pomba branca, que representa o Espírito Santo para os católicos. Para Leonardo, além da fé, uma motivação para participar é a integração com outras pessoas de dentro e fora da paróquia.

"A gente vai ganhando conhecimento de outras paróquias, de outros contextos. Cada paróquia tem a sua maneira de ser".

Um dos organizadores da tradição, o padre Ramon Nascimento, da Cidade de Deus, usava um microfone para dar avisos aos fiéis, como não deixar espaços descobertos entre os tapetes e para cobrir todo o caminho que o arcebispo percorrerá.

"É um momento que emociona", conta ele sobre a procissão. "Estar com Jesus no Santíssimo Sacramento é muito especial. Corpus Christi é Jesus que se doa a nós como alimento e nos convida a nos doarmos uns aos outros", finaliza.

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