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Dia Mundial do Refugiado é lembrado com roda de conversa em São Paulo

20/06/2018 16h42

O Dia Mundial do Refugiado foi celebrado hoje (20) na capital paulista com música, dança e debates. As expectativas dos que chegam ao Brasil fugindo das dificuldades nos países de origem são o tema principal das composições feitas pelo grupo que participa de uma das oficinas oferecidas pelo Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI) na Bela Vista, região central da cidade. "Tem as músicas que a gente fez sobre a espera de documentação, de viver de criar algo que possa sustentar a vida deles no Brasil. A pessoa vai exprimir o que ela sente, porque a música alivia", explica Grevisse Kalala que veio da República Democrática do Congo há quatro anos e atualmente trabalha como atendente no centro de referência. Kalala conta que deixou seu país natal devido à opressão do regime político. "A gente está passando por momentos que são um pouco de ditadura. A gente não tem liberdade de expressão de falar sobre o que a gente sente", contou o rapaz de 30 anos que era engenheiro de tecnologia da informação antes de buscar refúgio em São Paulo. A partir da própria experiência, ele busca agora ajudar outras pessoas que chegam em situação semelhante à dele. "Quando eu cheguei, no começo foi uma vida um pouco  dura, de se adaptar com o idioma, com as pessoas , de entender como a sociedade brasileira funciona. Mas com pouco tempo a gente entende como as coisas funcionam. Hoje, eu estou ajudando aqueles que chegam no Brasil", diz.

Origens

Em São Paulo, o Dia Mundial do Refugiado é marcado com roda de conversa "Mercado de trabalho brasileiro: dificuldades e desafios na integração dos refugiados", no Centro de Referência e Atendimento para Imigrante - CRAI/SP. - Rovena Rosa/Agência Brasil
Vir para o Brasil fez com que a palestina nascida na Síria Nour Massoud compreendesse melhor as próprias origens. "Eu estava na Síria toda a minha vida. Vim para cá e descobri que não sou Síria, aqui me tratam como palestina", contou durante um debate que também fez parte das comemorações no CRAI. A situação de Nour se complicou com a guerra na Síria. À época ela vivia e trabalhava na Jordânia, mas com o acirramento do conflito no país vizinho, o governo jordaniano decidiu revogar a permanência dos palestinos no seu território. Com dificuldades de ser acolhida em países mais próximos, acabou vindo para o Brasil, onde está há três anos. Agora, ela ajuda a denunciar as arbitrariedades que o Estado de Israel comete contra os palestinos. Segundo Nour, nessa luta, seu povo tem poucas armas além da cultura e das pedras que os que resistem no local lançam contra os soldados. "A nossa resistência é no dia a dia, é falar o que está acontecendo lá", enfatiza.