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Rio de Janeiro registra queda de 34% em latrocínios

22/07/2019 22h44

Dados  do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro apontam que houve queda de 34% dos latrocínios no estado, comparando os seis primeiros meses de 2018 com o mesmo período de 2019. Com relação aos homicídios dolosos, houve queda de 23%, ou 608 mortes a menos no mesmo período.

O estado também registrou recuo no número policiais mortos, de 15 para 7. Foram 63% a menos do que no primeiro semestre de 2018. Por outro lado, nos seis primeiros meses do ano foi registrado aumento de 15% nas mortes por intervenção de agentes do Estado, passando de 769, em 2018, para 881 neste ano. 

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, voltou a classificar os criminosos do Rio de terroristas que agem ao redor do mundo. "Não se combate o terrorismo com flores. Se combate com investigação, com armas de mesmo calibre e com um processo rigoroso. Se não se entregar, serão mortos. O recado está dado, não enfrente a polícia", disse Witzel, na apresentação sobre as mudanças na área da segurança pública do estado, que teve como tema "180 dias: Começamos a Mudar o Jogo na Segurança".

Roubos

No período, o estado registrou o menor número de roubos de veículos dos últimos 34 meses. A redução ficou em 24%, saindo de 28.488 para 21.635. A queda nos roubos de carga atingiu 21%. Eram 5.036 no primeiro semestre de 2018 contra 3.999 este ano. 

Quanto ao número de roubos em coletivos, na comparação entre os primeiros seis meses de 2019 e de 2018 houve alta de 14,3%. Este ano foram 8.761, enquanto no ano passado 7.665 casos.

"O crime organizado tem vários negócios, rouba carga, carros, faz furtos nas ruas, faz roubos em coletivos. Como estão endividados, começam a partir para outros crimes. O trabalho da polícia é manter a asfixia ao crime organizado e também o combate a essa mancha criminal", disse Witzel.

Na visão do governador, as ações nos coletivos são um trabalho de constante acompanhamento e de modificação no planejamento. Ele adiantou que a área de segurança do governo analisa a implantação do sistema de reconhecimento facial dentro dos coletivos, como vem ocorrendo em caráter experimental em Copacabana e no Maracanã. "Estamos estudando, inclusive, colocar reconhecimento facial nos ônibus. Já pedi este estudo para o coronel Figueiredo", informou, se referindo ao secretário de estado de Polícia Militar, coronel Rogério Figueiredo.

Os dados divulgados, no Palácio Guanabara, sede da administração fluminense, indicam que no primeiro semestre deste ano a Polícia Militar fez 2.269 ações e a Polícia Civil 725. O governo do estado destacou ainda o número de armas apreendidas. Foram 4.795, sendo 305 fuzis. Com destaque para a maior apreensão divulgada na quinta-feira passada (18), com 8,5 toneladas de droga e 30 armas entre elas 23 fuzis e duas metralhadoras.

Policiamento ostensivo

O secretário da Polícia Militar disse que, logo no início do ano, havia a preocupação com os crimes praticados nas ruas do estado e a opção foi reforçar o policiamento ostensivo com trabalho de prevenção. Foi intensificado o Programa Percurso Seguro, para reduzir os indicadores criminais nas principais vias e dentro dos bairros do Rio e dar mais segurança nos horários de ida e de volta do trabalhador para casa. O trabalho conta ainda com participação das unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que não ficam mais restritas às comunidades. 

Ainda conforme o secretário, com a análise diária dos dados do ISP junto com a Polícia Civil são definidas as ações para atacar as manchas criminais. "Buscamos estes números para ter efetividade na aplicação dos nossos recursos [emprego de agentes]. Sempre falo que temos recursos finitos para demandas infinitas. Essa é uma realidade e tem que ser otimizados os nossos recursos para ter efetividade", disse Figueiredo.

Para o governador, embora ainda tenha muito a fazer, há o que se comemorar no período. Witzel destacou que os resultados de janeiro a junho de 2019 foram obtidos com menos 3 mil integrantes das forças de segurança por dia, uma vez que terminou a intervenção federal na área e não houve mais emprego das Forças Armadas, nem da Guarda Nacional e sem o reforço da Polícia Rodoviária Federal nas estradas federais.

"Nossos recursos são aplicados para que haja redução nos roubos de rua, em coletivos, em estabelecimentos comerciais. Todos esses indicadores estão em queda devido ao nosso planejamento", disse o coronel Figueiredo, anunciando que foram abordadas no período 75 mil pessoas em mais de 80 pontos diferentes no Percurso Seguro.

O secretário de Polícia Civil, delegado Marcus Vinícius, destacou que o total de criminosos identificados em investigações concluídas em todos os tipos de crimes aumentou 60,4% na comparação de um semestre com o outro. "Uma autoria identificada a cada 7 minutos". O delegado chamou atenção para as investigações envolvendo lavagem de dinheiro. Neste ano somaram 179 indiciados em tipos de investigações que não costumavam ocorrer. "Não pode ficar com dinheiro do crime, porque senão compra mais armas, mais drogas e corrompe, simplesmente tem acesso a tudo o que o criminoso quer, que é o dinheiro"

Marcus Vinícius acrescentou que bens e valores sequestrados em investigações atingiram R$ 25 milhões. "Esse número de janeiro a junho do ano passado é zero e a tendência é aumentar muito. Se Deus quiser ano que vem a gente vai estar nessa conversa aqui com R$ 500 milhões, quiçá, R$ 1 bilhão bloqueados e sequestrados, porque tem um motivo. Nunca se trabalhou lavagem de dinheiro. Impressionante como era fácil usufruir do dinheiro ganho através dos crimes", disse.

"A Polícia Civil estava escondida em uma estrutura que realmente não mostrava o que era capaz de fazer", afirmou Witzel

Segurança Presente

O secretário de governo Cleiton Rodrigues anunciou a ampliação do Programa Segurança Presente até o fim do ano. O número de agentes empregados, que é de 1 mil, vai duplicar e também serão atendidos os municípios de Nova Iguaçu e de Duque de Caxias, além dos bairros da Barra da Tijuca, Laranjeiras, Bangu, Botafogo, Vila Isabel e Grajaú. De janeiro a junho deste ano, o programa registrou 1.157 prisões, 16.623 atendimentos sociais e cumpriu 635 mandados nos bairros da Tijuca, Méier, Ipanema Leblon, Centro, Lagoa, Lapa Copacabana, Aterro e em Niterói, na região metropolitana do Rio.

Para o governador, o Segurança Presente é um programa de polícia de proximidade com a população. "Esse programa é mais do que um programa de policiamento. É um programa de relacionamento, diferenciado cuja criação foi por próprios policiais da polícia militar", disse.

O governador adiantou ainda que será criado em breve o Programa Bandejões, que vai complementar o Segurança Presente e melhorar a ordem pública. A intenção é oferecer alimentação a população que vive em situação de rua. "Vamos lançar esse programa para que as pessoas possam ali ter uma alimentação adequada e vai ser um programa integrado com a Secretaria de Saúde", informou.

Assista na TV Brasil: Wilson Witzel defende política de matar criminosos armados

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