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1 mês

Polícia prende por tráfico estudantes de medicina brasileiros que eram 'mulas' no exterior

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Imagem: iStock

16/05/2022 19h39

A Polícia Civil do estado de São Paulo está investigando estudantes brasileiros que cursam faculdade no exterior e realizam tráfico internacional de drogas. Um homem de 24 anos e uma mulher de 29, que cursavam medicina na Bolívia e no Paraguai, foram presos em ações nos últimos três meses.

De acordo com a polícia, eles eram contratados como "mulas" para trazer maconha e skank (uma espécie de maconha com alta pureza) quando vinham visitar a família no Brasil.

Segundo o delegado Fernando Santiago, da 4ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), os estudantes tentam se valer do prestígio de cursarem medicina para não levantarem suspeita da polícia.

"Normalmente, eles estão bem-vestidos, e quando são abordados falam que são estudantes de medicina. Normalmente, isso, para eles, gera uma certa confiança. Além disso, eles usam da conveniência da rotina de viajar para o Brasil de ônibus, e já têm um conhecimento quanto a isso", disse o delegado.

De acordo com a polícia, as investigações começaram há mais de um ano. Os estudantes presos responderão por tráfico internacional de drogas.

R$ 5 mil por remessa

Conforme o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), vinculado à Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, o aliciamento passou a ser uma das formas usadas na tentativa de ludibriar a fiscalização da polícia. Investigações apontam que o lucro dos estudantes que transportam drogas - que normalmente têm um perfil mais caro, como cocaína e skank - pode chegar a R$ 5 mil em uma única remessa.

"Chamou a atenção, em um período de três meses, dois estudantes que fazem Medicina fora do Brasil nessa situação", disse ao jornal O Estado de S. Paulo o delegado Fernando Santiago, titular da 4ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil.

As prisões dos alunos de Medicina foram feitas em flagrante e ocorreram como parte de investigações que sequer tinham os estudantes como foco. Mas as semelhanças de perfil das "mulas", como são chamadas as pessoas cooptadas pelo tráfico para transportar drogas, ligou o alerta da polícia, que agora prevê intensificar as investigações.

"Tivemos três casos em um intervalo de um ano que envolviam estudantes de Medicina", acrescentou o delegado. Além dos dois que ocorreram neste ano, Santiago relembra que um estudante foi preso no ano passado após ser flagrado transportando cocaína. Ele cursava Medicina no Paraguai.

O caso mais recente ocorreu na quarta-feira. Uma estudante brasileira de 29 anos foi presa após desembarcar no Terminal Barra Funda, zona oeste de São Paulo, com quase 13 quilos de skank na mala. A droga é descrita pela polícia como uma "maconha gourmet". "O skank tem um valor de mercado muito próximo da cocaína, é uma droga que tem de ter a planta exata, que é modificada geneticamente", explicou Santiago.

Lucro

Segundo o delegado, os traficantes pagam por volta de R$ 20 mil por quilo para comprar a droga e passam a comercializá-la no Brasil. "No varejo, esse valor vai ficar muito maior. Uma ou duas gramas custa de R$ 60 a R$ 80", disse.

A estudante de Medicina, apontam as investigações, iria lucrar R$ 5 mil com a efetivação da transação. Ela estava com 36 pacotes da droga guardados em uma mala rosa. O ônibus em que estava saiu de Corumbá, Mato Grosso do Sul. "O caso dessa moça fugiu um pouco da normalidade", explicou o delegado. "Eles costumam apanhar 2, 3, 4 quilos de drogas no máximo, e muitas vezes a droga fica dissimulada na mala."

Em fevereiro, um estudante de Medicina de 34 anos foi preso em flagrante com 3 quilos de cocaína inseridos na mala. Ele veio para a capital paulista em um ônibus de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, e também desembarcou no Terminal Barra Funda. Conforme o delegado, a suspeita é de que o modus operandi seja o mesmo. Com a droga em mãos, os estudantes passam a fronteira de van, carro ou algum outro meio de transporte com pouca fiscalização. Em seguida, pegam ônibus de alguma cidade de Mato Grosso do Sul até a capital paulista.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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