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Tropas do Exército e Marinha começam a ser substituídas por PMs na Maré

Fuzileiros do Exército fazem operação conjunta com a Polícia Militar, nesta terça-feira - Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Fuzileiros do Exército fazem operação conjunta com a Polícia Militar, nesta terça-feira Imagem: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

31/03/2015 18h35

A partir desta quarta-feira (1º), tropas do Exército e Marinha que integram a Força de Pacificação que desde abril de 2014 atua no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, começam a ser substituídas por policiais militares para a instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) na área. A transição deverá ser concluída até 30 de junho.

O processo começa um ano após a ocupação das 16 favelas pelos militares, em operação que já custou R$ 461,6 milhões ao Ministério da Defesa. Segundo a Força de Pacificação, 3 mil militares e 212 profissionais da Polícia Militar atuam hoje na Maré. Os PMs participam de treinamento desde janeiro para compor a tropa de pacificação do complexo. Em fevereiro, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) disse que cerca de 2 mil PMs estarão na Maré até o fim de junho.

A Secretaria Estadual de Segurança não confirmou quantas UPPs serão instaladas na região, apesar de, em novembro de 2013, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, ter falado em quatro unidades. A primeira será inaugurada no favela Roquete Pinto, dominada por milicianos, e atenderá também à comunidade Praia de Ramos. A partir de 1º de maio, os militares deixarão as favelas Parque União, Rubens Vaz, Nova Holanda e Parque Maré.

Levantamento da ONG (Organização Não-Governamental) Redes de Desenvolvimento da Maré, que atua na região, pelo menos 20 mortes dolosas ocorreram no complexo durante a ocupação militar. Os dados se baseiam em casos veiculados na imprensa e relatos de moradores. Em nota, a Força de Pacificação da Maré afirmou que apenas seis suspeitos morreram em confronto com as tropas.

Alguns episódios geraram protestos. Morto com um tiro de fuzil no peito em 20 de janeiro deste ano, Felipe Vieira, de 23 anos, não tinha antecedente criminal. Em 21 de fevereiro, militares da Força de Pacificação atiraram em Kombi que furou uma blitz. Três passageiros ficaram feridos. O caso motivou uma manifestação no complexo dois dias depois.

Um morador da Maré que pediu para não ser identificado afirmou à reportagem que, com a presença do Exército, os criminosos procuram se esconder em vielas e becos de difícil acesso. O armamento utilizado também ficou menos pesado, com fuzis substituídos por pistolas e revólveres no dia a dia do tráfico. Os chefes teriam saído, deixando os criminosos mais jovens nas favelas.

Para observar as atividades dos traficantes, a PM construirá torres de observação na Maré, ainda sem quantidade definida. A iniciativa foi criticada por Edson Diniz, um dos diretores da Redes de Desenvolvimento da Maré. "Essa ideia da vigilância é muito ruim, só afasta a comunidade (da PM). Ela não aproxima a polícia da população e só cria mais barreiras", declarou.

Para Diniz, a população está preocupada com violações de direitos pelos PMs. Há ainda o medo de que a chegada dos policiais aumente os confrontos. "Se for o modelo de UPP colocado hoje, está muito propenso a repetir os erros de Rocinha e Alemão", analisou.

Os abusos, geralmente sob a forma de abordagens violentas, se intensificam conforme mudam as tropas envolvidas no patrulhamento, disse o diretor da ONG. "Nesse um ano, teve umas quatro ou cinco mudanças de tropa. (O comportamento delas) Dependeu muito do comandante e de onde vieram". De acordo com a Força de Pacificação, pelo menos 16,7 mil militares do Exército e da Marinha passaram pela Maré desde abril do ano passado.

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