Avenida Rio Branco, no centro do Rio, será interditada para obra do VLT

  • Julio Cesar Guimaraes/UOL

    1º.dez.2014 - Obras do VLT na Avenida Rio Branco, centro da capital fluminense

    1º.dez.2014 - Obras do VLT na Avenida Rio Branco, centro da capital fluminense

A avenida Rio Branco, a mais famosa do centro carioca, será interditada ao trânsito em 600 metros, no próximo dia 16, em continuidade à obra de instalação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). O fechamento ocorrerá da esquina com a avenida Nilo Peçanha ao cruzamento com a rua Santa Luzia. No trecho, a Prefeitura do Rio de Janeiro planeja criar um novo passeio público, com acesso exclusivo a pedestres e ciclistas e veto definitivo a carros, ônibus, táxis e motocicletas.

Batizado de "Boulevard da Rio Branco", o passeio ocupará um espaço de grande relevância cultural. Nele ficam o Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional, o Palácio Pedro Ernesto (Câmara de Vereadores), o Museu Nacional de Belas Artes, a Cinelândia e o Centro Cultural da Justiça Federal.

A avenida Rio Branco, que completou 110 anos em novembro passado, também vai ganhar uma ciclofaixa e um canteiro central, com calçamento de paralelepípedos, trechos gramados e passagens de pedestres em granito, de acordo com o planejamento da prefeitura. A previsão é que a malha cicloviária alcance, no centro, cerca de 30 quilômetros de extensão.

Em março, as obras da avenida Rio Branco completarão dois anos. Desde o início da remodelação da avenida, a interdição de trechos importantes do centro tornou o trânsito ainda mais caótico, espremeu os pedestres em calçadas tomadas por tapumes, operários e material de construção e facilitou a ação dos assaltantes, habituais frequentadores da região. Os bandidos costumam atacar as vítimas junto a canteiros de obras. Acuadas, elas têm dificuldades para escapar.

Segundo a prefeitura, a partir da próxima semana, placas informativas e monitores orientarão os passageiros de ônibus cujos pontos serão desativados. No dia 16 (sábado da outra semana), a partir das 14h, o fluxo viário e as linhas rodoviárias que passam pelo trecho interditado serão desviados para as avenidas Nilo Peçanha e Graça Aranha. Ao todo, 82 linhas serão afetadas pela mudança e terão as rotas alteradas.

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) informou que o VLT começará a operar no primeiro semestre deste ano, entre a Rodoviária Novo Rio e o Aeroporto Santos Dumon. Mas não anunciou o mês. A previsão é que o transporte já estará operando antes da Olimpíada, que começará em 5 de agosto.

A tarifa da passagem só deverá ser definida próximo à inauguração e será integrada ao bilhete único de transportes. A prefeitura anunciou que a bilhetagem será feita "de forma eletrônica e voluntária", como ocorre em países da Europa. O VLT, que circulará em uma velocidade média de 15km/h, será integrado com o sistema de ônibus. As linhas que hoje passam pela Rio Branco finalizarão os trajetos em cinco terminais rodoviários. A partir deles, os passageiros seguirão viagem pelo VLT. De acordo com a prefeitura, a meta é que o trânsito na área diminua em pelo menos 30% com o novo sistema.

A expectativa da prefeitura é que o VLT atenda a 300 mil pessoas por dia. Pelo projeto original, os passageiros contarão com 32 paradas, distribuídas por 28 quilômetros de vias espalhadas pelo centro e pela zona portuária. Deverá haver a integração com a estação ferroviária Central do Brasil, com a estação das barcas que ligam o Rio à cidade de Niterói e às ilhas do Governador e de Paquetá e com estações do metrô.

O custo da construção do sistema do VLT está orçado em R$ 1,157 bilhão, sendo que R$ 532 milhões são recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade e R$ 625 milhões viabilizados por meio de uma parceria público-privada (PPP) montada pela prefeitura.

O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, previu nessa quinta, 7, que o comércio, em decadência no centro desde o início das obras, poderá ser revitalizado com a entrada do VLT em operação. O Sindicato dos Lojistas do Rio informou que 600 lojas fecharam no centro no segundo semestre do ano passado, por causa dos transtornos na região das obras e da crise financeira.

"A ideia é que os cariocas possam explorar com prazer toda a riqueza cultural da região, apenas caminhando, o que pode impulsionar, também, o comércio local. Priorizar o pedestre e o ciclista ao mesmo tempo em que se organiza melhor o atendimento do transporte público favorece a circulação constante de pessoas nas ruas, que é o conceito de cidade viva", disse ele.

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