'Mostramos que queremos opinar', diz aluno na volta às aulas da 1ª escola ocupada

São Paulo - Para alguns, a aula na primeira quarta-feira do ano era motivo de comemoração, resultado de uma luta vencedora. Para outros, o início das aulas de reposição na Escola Estadual Fernão Dias, a primeira da capital a ser ocupada contra a reorganização escolar proposta pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), era quase um castigo.

Foi o caso de Mateus Ferrer, de 14 anos, que teve de adiantar a volta de uma viagem com a família por causa da reposição. "Eu era a favor da manifestação, mas eles passaram do limite. Quando a reorganização foi suspensa, eles deveriam ter saído da escola e nos deixado ter aula para que ninguém fosse prejudicado", disse Ferrer, que é aluno do 9º ano. Caso fosse implementada neste ano, a reorganização previa o fechamento das salas de ensino fundamental 2 (do 6º ao 9º ano) na escola, que só manteria o ensino médio.

Aluna do 7º ano, Vitória Santos, de 13 anos, estava com saudade dos colegas e disse que, apesar de apoiar a ocupação, achava que os estudantes não deveriam prejudicar o ano letivo. "A luta deles foi importante porque eu não queria mudar de escola, mas nós perdemos muitos dias de aula", disse.

Ocupada no dia 10 de novembro, a escola perdeu quase um mês e meio de aulas. De acordo com a direção da unidade, a reposição iniciada ontem seguirá até o dia 5 de fevereiro, incluindo sábados e o feriado de 25 de janeiro. As aulas do atual ano letivo terão início somente em 15 de fevereiro. Outras quatro escolas permanecem tomadas pelos estudantes.

Decisivo

Mesmo com a reposição no período de férias, os alunos que participaram da ocupação disseram que o momento é decisivo para garantir a sustentação do espaço que conquistaram com os protestos. "Nesta primeira semana estão nos dando mais espaço, mais voz para as decisões. Nossa participação vai ser decisiva para que isso não se perca ao longo do ano", disse Lizandra Lima, de 16 anos, aluna do 2º ano médio. Na volta às aulas, ela disse que os professores fizeram uma discussão sobre a ocupação e o aumento da tarifa de ônibus.

"Mostramos que queremos opinar. Não aceitamos voltar a uma educação autoritária, com os alunos passivos", disse Gabriel Suzarte, de 17 anos, do 3º ano médio. Nesta semana, os alunos serão liberados mais cedo, já que ficou acertado que as aulas normais serão realizadas nas duas horas iniciais e o restante será para definir as atividades culturais que vão ocorrer aos sábados. "Queremos uma escola aberta à comunidade, como fizemos durante a ocupação", disse Letícia de Oliveira, de 16 anos, do 2º ano médio.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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