Operação Lava Jato

Sindicato diz que BC poderia detectar envolvimento de bancos na Lava Jato

Em Brasília

  • Kleyton Amorim/UOL

    Sede do Banco Central, em Brasília

    Sede do Banco Central, em Brasília

Brasília - O Sindicato dos Funcionários do Banco Central (Sinal) fez duras críticas à atuação da instituição na área de fiscalização por meio de nota à imprensa enviada nesta segunda, 11. Hoje, o jornal o Estado de S.Paulo informou que a Operação Lava Jato investiga 13 bancos por crime de lavagem de dinheiro. Para o Sinal, essa informação aponta para a incapacidade do BC de cumprir bem seu papel. "Esse é o preço que o País está pagando por conta do desmonte dos órgãos de fiscalização que sofrem com o forte ajuste fiscal e a renúncia fiscal que fizeram com que o Estado chegasse a esse nível de inoperância", afirmou na nota o presidente do Sinal, Daro Piffer.

Para o sindicalista, um dos motivos que levam a essa deficiência de atuação da autarquia é o fato de o quadro de pessoal não estar "devidamente preenchido". Se estivesse, conforme a nota, o BC teria melhores condições de identificar a omissão dos bancos em relação a crimes financeiros. "Os bancos têm a obrigação legal de informar ao Coaf qualquer operação financeira suspeita. Se não fizeram isso, podem ter sido coniventes, porque essas instituições têm recursos tecnológicos e de pessoal para acompanhar, rastrear, identificar, notificar e monitorar qualquer tipo operação, principalmente aquelas envolvendo quantias volumosas, clientes de grande porte ou sob investigação", escreveu. Para o Sinal, os bancos não respeitam essas normas, porque sabem da dificuldade da autoridade monetária em fiscalizar o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Piffer observou que o BC tem se adaptado "como pode" aos recursos humanos que dispõe. "Com a falta de pessoal na fiscalização e no Departamento de Conduta, ao qual cabe cobrar e identificar responsabilidade dos bancos por não comunicar o Coaf de operações suspeitas, a supervisão do BC preocupa-se tão somente com o risco sistêmico, em evitar que a quebra de algum banco importante contamine o sistema financeiro. As outras atividades do banco perderam a prioridade", disse.

O sindicalista defende que o BC deveria dobrar o número de funcionários em setores de inteligência e de supervisão bancária do órgão. "O Brasil sem fiscalização está virando uma terra de insegurança da real capacidade do funcionamento das instituições. Os órgãos não estão mais conseguindo cumprir sua missão institucional, muito menos no combate à corrupção." O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, entrou em contato com o BC sobre o tema pela manhã, mas não recebeu retorno até o momento.

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