Situação é árdua porque governo arrecada pouco e não induz crescimento, diz Lula

De São Paulo

Em entrevista a blogueiros nesta quarta-feira (20) em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou a atual situação da economia brasileira como difícil "porque o governo arrecada pouco, aí não tem capacidade de investimento e não pode induzir (a retomada do crescimento)".

Lula defendeu a política de concessões em infraestrutura adotada pelo governo Dilma Rousseff. "Quando o dinheiro está curto, pode fazer uma concessão por 20, 30 anos. Acho importante fazer", comentou.

Na avaliação do ex-presidente, o problema atualmente é a falta de crédito. "Acho que a Dilma e o Barbosa (Nelson, ministro da Fazenda) devem estudar, pensar Não sei para quando, mas é preciso de uma forte política de crédito", defendeu.

Lula destacou que, em 2008, quando classificou a crise financeira global de "marolinha", injetou R$ 100 bilhões do Tesouro para financiar o desenvolvimento. "Na primeira levada, os bancos particulares não colaboraram no crédito e tomamos a decisão de que os bancos públicos financiassem", relembrou.

Para o ex-presidente, a única saída para a atual situação econômica é se voltar para o "mercado interno extraordinário" que o País tem.

Entre os pontos defendidos por Lula estão políticas de crédito específicas para as cerca de 14 milhões de microempresas e microempreendedores individuais, linhas de crédito para cadeias produtivas, de modo que empresas tenham acesso a juros mais baixos como as grandes companhias, além de financiamento "mais forte de toda a infraestrutura" e "um pouco de crédito para o consumo".

Lula destacou a importância do mercado interno argumentando que, quando não há demanda prevista, empresários decidem não investir. Nesse sentido, defendeu a expansão do crédito consignado para trabalhadores da indústria privada.

O petista também defendeu o uso de recursos públicos como forma de induzir a retomada do crescimento. "Se você endivida o País um pouco mais para fazer novos ativos produtivos, terminar uma ferrovia ou um aeroporto, por exemplo, logo você terá retorno e vai arrecadar mais", argumentou.

Lula citou o exemplo dos Estados Unidos e disse que, para enfrentar crises, a dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) naquele país avançou de cerca de 60% para mais de 100%.

Mídia

O ex-presidente afirmou que começou a processar jornalistas para "recuperar a dignidade da profissão" e "botar ordem na casa". "Daqui pra frente eu vou processar todo mundo, tudo obviamente que achar que cabe, para botar ordem na casa, porque a desfaçatez é tamanha", criticou.

O petista disse que só tem sua "honra" para se defender dos ataques da mídia. "Só tenho duas coisas pra me defender: minha língua e minha vontade de falar. O que tenho para me defender é a minha honra, meu caráter e o legado que construímos neste País. As pessoas podem não gostar do PT, mas se não reconhecerem o que seria desse País sem o governo do PT..."

Lula citou seu filho Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, como vítima da imprensa. "Meu filho Fábio, o que fazem com ele é uma violência." O ex-presidente citou processo recente contra o jornal O Globo e reclamou de os jornalistas terem alegado sigilo de fonte.

A publicação divulgou uma correção depois de publicar que Lulinha havia sido citado na delação de Fernando Soares, o Fernando Baiano. No depoimento, o lobista disse que o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, teria pedido dinheiro para uma nora do petista, mas não citou nenhum parente de Lula diretamente.

Lula afirmou que, a seu ver, a mídia pode ter posicionamento político, mas que não pode haver "mentira" nas informações. "A politização da imprensa chegou a tal ordem... Eu admito politização, que publiquem o que quiserem nos editoriais, o que não admito é mentira na informação."

Lula disse que esperava uma maior consideração da mídia com Dilma, por ser mulher, mas que só vê "abuso e falta de respeito". "É uma coisa de pele, você não tem a minha pele, então não entra no meu clube", disse em referência aos donos de grandes veículos. "Quem quiser discordar da Dilma, discorde, mas pouca vezes neste país tivemos alguém com a dignidade da Dilma governando esse País", afirmou ao defender a sucessora.

Lula aconselhou ainda a presidente a "criar a pauta", criar "fatos políticos" para evitar o noticiário relacionado aos "vazamentos seletivos" da Lava Jato. "A Dilma tem que ter consciência, ela tem que criar a pauta. Toda semana ela tem que criar uma pauta, um fato político, porque, senão, toda semana vai ser Lava Jato."

Lula também falou da capa da revista "Veja" que estampou fotos de presos da Lava Jato quando foram fichados na carceragem e do interior das celas. "A Veja com as fotografias do pessoal preso é um atentado à moral desse País. O cara que gostou dessas fotos é o cara que defende a redução da idade penal, a pena de morte."

O ex-presidente disse que ele e o PT têm que agir "mais rapidamente" na estratégia de comunicação. "Graças a Deus tem a imprensa alternativa, que, com todo sacrifício, é o que faz a gente respirar, ter esperança."

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