Brasil lançará teste único para três doenças causadas pelo 'Aedes'

Montevidéu - O ministro da saúde do Brasil, Marcelo Castro, afirmou nesta quarta-feira, 3, que o País terá em um mês nos postos do Sistema Único de Saúde (SUS) um teste que detecta se o paciente picado pelo mosquito Aedes aegypti e com febre tem zika, dengue ou chikungunya. "Até agora é necessário fazer testes separados. Esperamos que isso acabe em um mês", disse.

Ele foi o mais procurado por dezenas de jornalistas de todo o continente após a divulgação de declaração conjunta de 12 ministros de Saúde que se reuniram emergencialmente na sede do Mercosul em Montevidéu nesta quarta.

A pergunta mais recorrente para Castro era sobre a certeza brasileira da relação entre o vírus e a microcefalia em bebês. Há 4.700 suspeitas e 407 confirmações no Brasil.

"Temos certeza absoluta, inequívoca, desta relação. Antes tínhamos 150 em um ano", sustentou. Entre os argumentos que expôs, o primeiro é a coincidência geográfica entre as áreas mais atingidas pelo zika e o maior número de crianças atingidas. Logo, citou três testes ligados a bebês com subdesenvolvimento craniano. Um encontrou o vírus em um feto, outro em uma criança morta num aborto natural e um terceiro na placenta após um parto no Paraná. Questionado sobre a possibilidade de uma conexão com uso de agrotóxicos, ele foi enfático em negá-la. "São pessoas que ficam na internet inventando coisas."

A diretora da Organização Pan-Americana de Saúde, Carissa Etienne, afirmou que não há certeza porque os únicos relatos comprovados de microcefalia estão no Brasil. Na Colômbia, onde o governo estima que haja 20 mil infectados pelo zika, não há lesões em bebês. Ainda assim, o governo colombiano prevê o diagnóstico de 500 casos de microcefalia este ano, por acreditar que o ritmo do avanço da doença explica a ausência de relatos até agora. No Brasil, o primeiro diagnóstico de zika apareceu em abril, enquanto na Colômbia, em outubro.

"Ainda é cedo para sabermos, o tempo responderá isso", disse ao jornal O Estado de S.Paulo o ministro da Saúde colombiano, Alejandro Gaviria Uribe.

O documento assinado pelos ministros estabeleceu objetivos genéricos como "trabalhar em conjunto", "buscar mais recursos" e "trocar experiências sobre bebês com microcefalia". Pontos mais concretos foram a criação de uma comissão para monitorar os casos de zika e a distribuição de informação sobre a doença em portos e aeroportos e postos de fronteira.

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