Cunha rebate Falcão e diz que PT aparece mais que ele nas páginas policiais

De Brasília

  • Alan Marques/ Folhapress

    Eduardo cunha, presidente da Câmara dos Deputados

    Eduardo cunha, presidente da Câmara dos Deputados

Depois de ter sido classificado pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, como "alguém que consta mais nas páginas policiais do que nas páginas políticas", Eduardo Cunha (PMDB-RJ) rebateu a crítica e disse que o PT aparece mais nas páginas policiais do que ele. O comentário de Rui Falcão foi feito nesta quarta-feira (3), durante reunião dos deputados do PT que escolheu Afonso Florence (BA) para ser o novo líder do partido na Casa.

Falcão afirmou ainda que Cunha perde as condições de permanecer na presidência da Câmara caso se torne réu no caso que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. "Se ele for transformado de denunciado em réu, dificilmente teria condições de continuar aqui do ponto de vista jurídico-político." O presidente do PT comentou ainda que Cunha está tendo que prestar contas no Conselho de Ética por ter mentido ao dizer que não tinha contas no exterior.

Quando questionado se continuaria no cargo caso a denúncia fosse aceita, Cunha disse que continuará no cargo em qualquer circunstância. "Me tornei réu sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes e fui absolvido por unanimidade. Tem muitos aqui que são réus", lembrou. "Existe inclusive uma discussão jurídica. Agora, não vejo problema com relação a isso. O fato de aceitar a denúncia não significa que eu sou condenado. E acredito que possa não ser aceita. Meus argumentos são muito fortes. Mas eu não vou entrar nesse mérito."

Ontem, o relator dos processos da Operação Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki, disse que a denúncia contra Cunha poderá ser analisada no fim de fevereiro pelo plenário da Corte. Durante a entrevista desta quarta-feira, uma manifestante interrompeu a fala do presidente da Câmara com gritos de "Fora Cunha!" e "É manobra!". O presidente comentou que se fosse se preocupar com manifestações solitárias não poderia exercer a vida pública. E completou: "A vida pública é para isso. Ainda bem que são só manifestações solitárias."

Conselho de Ética

Sobre a anulação, nesta terça-feira (2), do parecer que poderia cassar seu mandato, Cunha disse ser vítima. Para ele, quem desrespeitou o regimento da Casa foi o presidente do conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA). "O presidente do Conselho de Ética parece agir a meu favor, mas acaba me prejudicando. Ele age de maneira deliberada para tentar fazer com que o processo regrida e assim permanecer na mídia, explorado como uma manobra minha. Se ele não cumpre o regimento, vocês deveriam cobrar ele. Não venham dizer que existe manobra de quem é vítima do mau uso do regimento. Esse é o problema."

O vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), deferiu nesta terça-feira, 2, recurso favorável ao presidente da Casa, no processo disciplinar em trâmite no Conselho de Ética. Ao aceitar o recurso do deputado Carlos Marun (PMDB-MS), Maranhão anulou a votação do parecer prévio do relator Marcos Rogério (PDT-RO) e obrigou o colegiado a voltar à análise da ação por quebra de decoro parlamentar do ponto da discussão da admissibilidade do processo. Três recursos já foram apresentados na Casa questionando a condução da ação disciplinar no colegiado.

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