Recarga falha de Bilhete Único cria fila, falta de troco e venda paralela em SP

Em São Paulo

  • Daniel Mobilia/Folhapress

    Fila para carregar Bilhete Único na estação Santa Cecília do Metrô

    Fila para carregar Bilhete Único na estação Santa Cecília do Metrô

Problemas nos pontos eletrônicos de recarga de Bilhete Único em terminais de ônibus e estações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em São Paulo, fazem o passageiro viajar de graça por falta de troco, perder dinheiro nas máquinas novas e ficar uma hora em filas, estimulando o mercado paralelo de venda de bilhetes para quem não quer enfrentá-las.

Nas últimas semanas, a reportagem flagrou ambulantes abordando usuários nas bilheterias das Estações Barra Funda, República e Sé do Metrô cobrando R$ 4 de quem quisesse passar pela catraca sem enfrentar a fila. Passageiros pagaram R$ 0,20 a mais do que a tarifa comum, de R$ 3,80, e passaram com o cartão "emprestado".

"Vale a pena para não ficar esperando", disse um deles, que não quis se identificar, no início da noite de 2 de fevereiro, na Estação Sé. A prática irregular ganhou força com as longas filas provocadas pela suspensão da venda de créditos do bilhete, em dezembro de 2015, pela Rede Ponto Certo, que operava 2/3 das máquinas de autoatendimento nas estações.

Segundo Rubens Menezes, chefe do Departamento de Segurança do Metrô, somente entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro, 132 bilhetes únicos usados nesse tipo de ação foram apreendidos. "Esse tipo de comércio irregular é sazonal, mas o combate é diário." Ele diz que a venda paralela de bilhete só é crime se usar cartão de idoso, estudante ou deficiente, que têm gratuidade e os de terceiros.

A atriz Thalita Drodowsky, 22, acha normal perder uma hora em congestionamentos, mas acha "surreal" ficar o mesmo tempo para carregar o Bilhete Único. Esse problema começou quando a tarifa foi reajustada para R$ 3,80. "Acontece desde o aumento da passagem. Tiraram as pessoas que trabalhavam aqui e colocaram máquinas que não funcionam." Na Estação Barra Funda, das quatro máquinas novas apenas duas funcionam e nem sempre aceitam recargas com cartão de débito.

Sem troco

A publicitária Flavia Viana, 24, não tinha trocado para comprar bilhete do Metrô a R$ 3,80 e a funcionária do guichê deu um desconto: R$ 3,50. "As máquinas não funcionam e o bilhete acaba saindo mais barato." Ela também já viajou de graça nos ônibus por falta de troco.

O cabeleireiro Anderson Domingues, de 26 anos, já foi ao trabalho sem pagar. "Eu tinha R$ 10 para a passagem. Não tinham troco e desci pela frente."

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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