Nenhum governo cala a boca do PT, diz Wagner

Rio - O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse nesta sexta-feira, 26, que o governo vai trabalhar para derrubar na Câmara dos Deputados o projeto do senador José Serra (PSDB-SP), aprovado no Senado, que desobriga a Petrobras de ser operadora única e ter participação mínima de 30% na exploração da camada do pré-sal. "Quem está apostando em racha entre o PT e o governo pode tirar o cavalinho da chuva", disse Wagner, após participar da reunião do Diretório Nacional do partido. "A riqueza do PT está na sua diversidade. Nós sempre fomos assim. Nenhum governo cala a boca do PT."

Questionado se sua presença no encontro tinha o objetivo de apagar o incêndio na relação entre o partido e o Palácio do Planalto, o ministro afirmou que os petistas têm o direito de divergir. "Eu não vim de bombeiro, até porque ninguém 'bombeira'. Mas quem gosta de ver o circo pegando o fogo não vai ver isso", afirmou ele.

A portas fechadas, Wagner disse aos dirigentes do PT que o projeto aprovado no Senado foi um "mal menor" porque a proposta de Serra era "um liberou geral", mas ouviu queixas dos companheiros de partido, para quem o governo capitulou. "Eu disse para eles: 'Gente, pelo amor de Deus. O que for erro nosso, vamos lá... Mas o governo não mudou nada. Quem puxou para derrotar a urgência do projeto do Serra? Quem segurou um ano esse projeto? Na medida que a gente perdeu a urgência, que a votação ia acontecer, nós fomos para o menos ruim", destacou ele.

Para Wagner, "tem gente se apavorando fora de hora" e fazendo um "cavalo de batalha" sem necessidade. "Quem libera bloco para ser leiloado? O governo. Pelo que está lá, vai primeiro para a Petrobras e depois para o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)."

Desde quarta-feira, quando Wagner e o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, negociaram com o relator do projeto, Romero Jucá (PMDB-RR), um texto alternativo, a insatisfação do PT com o governo atingiu o ápice. Na avaliação de dirigentes do partido, o governo não poderia sequer ter feito acordo, abrindo mão da primazia da Petrobras na exploração do pré-sal.

"Saudei muito a posição do PT de fazer uma campanha em defesa da Petrobras. Nós sempre defendemos isso. Quem defendeu a partilha e o operador único fomos nós, no nosso governo", comentou Wagner. Com um discurso conciliador, o ministro negou que a provável ausência de Dilma na festa de 36 anos do PT, neste sábado, seja por ela estar em rota de colisão com o partido, lembrando de sua viagem internacional ao Chile. "Se ela decidir que não dá para chegar, deve mandar uma nota. O pessoal do PT e ela, todos os dois têm muito juízo", disse Wagner.

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